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A Hora e Vez de Augusto Matraga

Roberto Santos encontrou no último conto de Sagarana, de João Guimarães Rosa, o que viria ser a maior obra ao longo de sua carreira e uma das grandes do Cinema. Em 1965 é realizado “A hora e a vez de Augusto Matraga”, título que possui um artigo “a” a mais, antes de “vez”, diferente do conto “A hora e vez”, enfatizando o peso da trajetória, como uma tragédia aristotélica de Augusto Matraga.

    Estamos na aurora do Cinema Novo, no qual as câmeras miravam para um outro lado do Brasil, buscando a essência e a verdadeira identidade do brasileiro. Mas, diferente de obras que buscavam o sertanejo nordestino como em “Vidas Secas” do seu amigo Nelson Pereira dos Santos e “Os Fuzis” de Ruy Guerra, ou mesmo, o brasileiro na selva de pedras de “São Paulo, S/A” de Luiz Sergio Person, Roberto Santos aponta sua câmera para o interior de Minas Gerais, onde se passam as histórias de Guimarães Rosa.

    Descobrimos neste interior de Guimarães o imaginário do “capiau”, misturado a um cotidiano mesclado de violência e misticismo. Eis que encontramos a figura de Matraga, um homem rude que conhece o topo, o fundo do poço e a redenção em forma de uma morte só sua, única para o homem que ele era.

    Trilhando por esse caminho fabular nos deparamos não apenas com a imagem de uma região, ou um povo, e sim, com uma história universal de um Homem em busca do seu Eu. Essa busca é feita ”nem que seja à porrete”. E nessa Poética desesperançada temos a violência como transcendência social, que deixa nas entrelinhas o contexto político implícito.

    Santos, como Rosa, diz muito com pouco. Mostra-se como um grande adaptador adicionando elipses, personagens, diálogos, que confluem muito bem com a atmosfera e com o estilo de Rosa. A cena do duelo final na igreja é pitoresca, o subdesenvolvimento fazendo milagres, como diz Matraga (Leonardo Villar) é “a gostosura de fim do mundo” que em grande atuação converge para os pontos altos do filme, assim como a de Jofre Soares (Joãozinho Bem-Bem) e a música de Geraldo Vandré.

    E da necessidade de desconstrução do Velho, como tinham também os modernistas literários, surge “A hora e a vez de Roberto Santos” alavancando o Cinema Novo, principalmente o paulista. O próprio Guimarães assistiu ao filme, dois anos antes de sua morte, e possivelmente se referindo aos contos adaptados anteriormente diz: “Estamos vingados!”.

Rodrigo Santos

Referências:

www.contracampo.com.br/27/fuzismatraga.htm

www.cineastarobertosantos.com.br

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