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Macunaíma

Florestas, chuva, brincadeiras, buscas, cidades, ruas, movimento, pessoas, fantasias, coloridos, máquinas, gigantes, guerras, sangue, fugas, gritos, “ah, que preguiça!” Assim se configura Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, numa convulsão de acontecimentos e exageros, um constante regurgitar antropofágico, para fazer a trivial analogia aqui cabível.

Baseado no livro de Mário de Andrade, o filme reutiliza muito de sua intenção ‘nacionalista’; o escritor modernista construiu este personagem a partir de lendas indígenas, buscando retratar ‘o Brasileiro genuíno’, que, no entanto, “não conseguiu desenvolver seu próprio ser psíquico independente, ou, como diria Mário de Andrade, seu próprio caráter.” (1)

Nascido nas florestas virgens do Brasil, Macunaíma é o herói verdadeiramente brasileiro. Não obstante, não tem forma fixa, apenas seus traços de personalidade, como preguiça, malandragem e libido, considerados típicos, ‘o jeitinho Brasileiro’. A despeito disso, Macunaíma é, na verdade, a cada tempo uma personagem, um tipo… É caipira, é hippie, é dândi; mas artificial, como seria a pessoa desse ‘Brasileiro’ unificado… Afinal, o que é generalizar “o Brasileiro”?

Como o cinema novo surgiu como um cinema crítico (em reação ao cinema de 40-50, despreocupado com questões políticas e sociais), a versão de Joaquim Pedro difere algo da esfera do Modernismo (este também desligado da realidade brasileira, no princípio). É verdade que o filme empresta muito da alegoria do livro (era também uma forma de driblar a censura), mas esta é utilizada como meio de ironizar, criticar e ridicularizar a realidade brasileira, bem como o nacionalismo amórfico e o tropicalismo; paradoxalmente, utilizando-se de uma obra que buscou resgatar o brasileirismo e elementos populares legítimos (embora também com alguma crítica, mas em outro sentido e menos exaltada).

As situações são complexas, ou, mais que isso, são confusas e exageradas demais, uma festa, uma baderna, o tapete sobre o lixo: como a situação do Brasil. Macunaíma é uma risada escrachada DO Brasil e (com a ingenuidade do público?) COM o Brasil, vide seu grande sucesso na época (o primeiro filme popular do Cinema Novo). Sem ‘maiores’ compromissos.

“Procurei fazer um filme sem estilo predeterminado. Seu estilo seria não ter estilo. Uma antiarte, no sentido tradicional da arte (…) Não existem nele concessões ao bom gosto. Já me disseram que ele é porco. Acho que é mesmo, assim como a graça popular é freqüentemente porca, inocentemente porca como as porcarias ditas pelas crianças.” (Joaquim Pedro de Andrade)

Rafael Grigoletto

Bibliografia:

JOHNSON, John Randal. Literatura e Cinema Novo. Macunaíma: Do modernismo na literatura ao Cinema Novo. Thomaz A. Queiroz, São Paulo, 1982. (1) Cap. II – Modernismo e Cinema Novo, pg. 44.

ANDRADE, Mário de. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Livraria Martins Editora S.A, São Paulo, 1980.

http://www.contracampo.com.br/27/macunaima.htm

http://www.filmesdoserro.com.br/jpa.asp

http://www.mnemocine.com.br/cinema/crit/sarahmacunaima.htm

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