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Porto das Caixas

Porto das Caixas fracassou nas bilheterias e foi mal visto pela crítica da época, apesar de possuir fervorosos defensores como Glauber Rocha e Paulo Emílio Sales Gomes. Diferente dos filmes anteriores exibidos neste módulo do cineclube, Porto das Caixas não é de forma alguma uma reminiscência do cinemão hollywoodiano, afinal já estamos cronologicamente no Cinema Novo, o qual as influências formais estão mais ligadas aos novos formatos de produção do cinema europeu, como o Neo-Realismo italiano e a Nouvelle Vague francesa.

Os cineastas brasileiros se inspiraram em algumas características desses movimentos – câmera na mão, trama intimista, filmagens em locações ao invés de estúdios – para criar uma forma própria do cinema brasileiro para poder desenvolver o debate sobre identidade e representação social do Brasil, discussões que não se davam apenas no cinema, mas também na música, literatura e teatro, era uma interlocução entre várias artes buscando um novo olhar para o Brasil. O filme Porto das Caixas tem o argumento de Lúcio Cardoso e música de Tom Jobim.

Assim como muitos dos filmes brasileiros, Porto das Caixas tem seu argumento baseado num assassinato verídico, conhecido como o crime da machadinha, porém Saraceni não leva às telas um filme de apelo popular, a atuação não é dramatizada, os planos são longos e muitas vezes lentos, a fotografia belíssima de Mário Carneiro por vezes é um grande recorte preto e tanto dos personagens quanto dos objetos só aparece a silhueta. Paulo Emílio ainda apontou que “a primeira coisa que desnorteia o público de Porto das Caixas é a explicação imediata e inconfundível da ação, é o fato do desenvolvimento dramático estar desde o início, e literalmente, na cara” (Gomes, 1981: 414-416).

A protagonista interpretada por Irma Alvarez não convive bem com o marido vivido por Paulo Padilha, um homem bruto que não tem um pingo de respeito pela mulher. Amargada pela sua situação ela resolve achar um homem para o matar. Usando seu poder de sedução aos poucos ela sonda o dono da mercearia (Reginaldo Faria) apaixonado por ela, tenta saber se o barbeiro a ajudaria, e também sai com um soldado. Ela sempre quer saber se eles fariam tudo por ela.

Bruno de Alencastro Grandi

Referências:

GOMES, Paulo Emílio Sales. Crítica de cinema no suplemento literário. Vol.I e II. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

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