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Sessão dupla: Viramundo e Congo

Viramundo (Geraldo Sarno, 1965)

Congo (Arthur Omar, 1972)

Uma sessão dupla, mas, sobretudo, uma sessão de tensão, conflito entre dois filmes, duas propostas de abordagem da realidade, uma radicalmente diferente da outra. De um lado temos o cartesiano Viramundo, de Geraldo Sarno, que tritura seus objetos, os homens, mulheres e crianças do nordeste, numa massa desesperada por sucesso e justiça num mundo de progresso no qual se vêem, mas não estão. De outro, a atitude iconoclasta e pretensiosa de Omar ao preferir palavras a imagens – e imagens a palavras – num jogo-de-esconder, enigmático e irônico, da representação.

O que estaria por trás de tamanhas atitudes, ou tamanha diferença? Que respostas procuram e escondem esses dois curtos esforços do cinema documental? Talvez aqui, para o espectador de hoje, seja a hora de abrir-se tanto para a distância quanto para uma improvável e (oxalá) estimulante aproximação de dois mundos tão distintos contidos num mesmo Brasil polifônico, ansioso por se descobrir outras vezes mais, seja pelo encanto ou desencanto.

Mais do que apenas propostas, tentativas, veremos pontos de partida que não necessariamente se anulam, mas matizam um ao outro, funcionam como um índice de diferença, uma certeza – se é que nos podemos dar ao luxo de ter alguma – de que existem, sobretudo e somente, modos de ver a vida irredutível e enigmática. Entretanto, aqui também estão para comprovar o poder do fragmento, da perspectiva e da escolha como elemento motor essencial a esse dinamismo histórico presente em nosso cinema de teses e antíteses.

Cabe ao espectador adentrar esse jogo dialético. Mas, claro, desconfiemos de tudo, afinal, são documentários.

Fábio Menezes

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