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A Dama de Shanghai

«Orson Welles sempre é descrito, e merecidamente, como inimitável», disse François Truffaut. É um dos nomes mais conhecidos e respeitados dentre os diretores de cinema, seja pela fama do seu primeiro trabalho, Cidadão Kane, seja por ter realizado uma das filmografias mais geniais do século XX. Welles nasceu em Kenosha, nos Estados Unidos, em 1915. Com dez anos de idade dirigiu e protagonizou sua primeira peça. E foi no teatro onde Orson Welles começou sua carreira, inicialmente atuando, depois também produzindo e dirigindo peças. Em 1935 ingressou no rádio, e no ano seguinte passou a fazer parte do noticiário «The March of Time», o qual seria parodiado mais tarde em Cidadão Kane. Em 1938 ocorre seu primeiro impulso à popularidade, aterrorizando milhares de norte-americanos devido a uma transmissão a respeito da invasão de marcianos à Terra, uma dramatização do livro «A Guerra dos Mundos», de Herbert George Wells. Welles é demitido, mas o início da fama de seu nome está dado.

Sua estréia no cinema se deu em 1940, através de um contrato dele com a RKO para dirigir e escrever dois filmes, com total liberdade de criação. Com um mínimo de contato prévio com o cinema, Welles filma o mítico Cidadão Kane, inovando nas técnicas de fotografia e montagem, e exibindo uma surpreendente narrativa. Cidadão Kane foi baseado na vida do magnata das comunicações William Randolph Hearst, um verdadeiro mito na época. A AFI (American Film Institute) considera esse o melhor filme de todos os tempos.

A Dama de Shanghai é o seu quinto filme, e surgiu de uma necessidade financeira do diretor para a produção de uma peça teatral. É um filme noir por excelência, onde Rita Hayworth (na época, casada com o diretor) chocou o público aparecendo de cabelos curtos e louros platinados. Ela interpreta Elsa ‘Rosalie’ Bannister, a típíca femme fatale que conquista o marinheiro Michael O’Hara, interpretado pelo próprio Orson Welles, um personagem que é envolvido inocentemente em uma perigosa trama de intriga e crime. A fotografia deste filme é fantástica, luzes e sombras são muito exploradas e o jogo de câmeras contribui para o desenvolvimento da trama, onde os acontecimentos se tornam cada vez mais intricados e labirínticos. No filme ninguém é o que parece, identidades e intenções são reveladas e desreveladas conforme o desenrolar da história. Uma trama que indica mudanças, não apenas no aspecto narrativo, mas também na própria maneira de fazer filmes. É um filme transitório, apresentando ainda elementos do cinema clássico, porém com aspectos daquele que viria a ser o cinema moderno.

O cinema noir é muito mais um estilo visual cinematográfico do que um gênero fílmico. Este estilo é marcado por cores escuras e alto contraste, influenciado diretamente pelo cinema expressionista alemão. As narrativas sempre inteligentes e inspiradas em romances policiais, são permeadas de paranóia, desconfiança e niilismo.

Ao longo de sua carreira Welles realizou mais de vinte filmes, dentre eles outras grandes obras, como Soberba (1942), A Marca da Maldade (1958) e O Processo (1962). Porém, depois de Cidadão Kane não conseguiu mais realizar nenhum grande sucesso de público. Morreu aos 70 anos, de ataque cardíaco.

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