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A Regra do Jogo

Jean Renoir nasceu na França no ano de 1894. Filho do renomado pintor de estilo impressionista Pierre-Auguste Renoir, o cineasta afirmou ter sido bastante influenciado pelo trabalho de seu pai. Grande parte de seus filmes foi realizada na França, desde seu início no cinema mudo, até suas obras mais conhecidas, como A Grande Ilusão (1937) e A Besta Humana (1938).

A Regra do Jogo é considerado por muitos um filme magistral, em parte por ter incorporado uma série de recursos inovadores na maneira de desenvolver sua narrativa. É possível detectar o uso consciente da profundidade de campo, de planos seqüência relativamente longos, e constantes movimentos de câmera – todos mais evidentes no terço final do filme. Esses elementos imprimem à obra uma agilidade e um dinamismo impressionante, contribuindo para o lirismo de sua atmosfera e para uma maior efetividade da mensagem que pretende transmitir. A sagacidade de seus diálogos e o acelerado senso de ritmo o diferencia das outras produções da mesma época, transformando-o em uma obra importante e altamente influenciadora na História do Cinema.

O filme é notório por realizar uma ácida, porém irreverente, crítica à disposição da hierarquia social e, principalmente, à alta burguesia francesa da época. A trama gira em torno de vários representantes da classe mencionada, às voltas com, dentre outras coisas, suas relações amorosas (tanto intra, quanto extra conjugais), os códigos morais e sociais que deveriam seguir, a relação com seus empregados e a presença da morte. O próprio Renoir faz um papel no filme, atuando como o otimista amigo Octave.

A primeira exibição em Paris faz parte de uma das lendas que circundam a obra. Mal recebido por tanto espectadores e críticos, motivou uma calorosa reação negativa e se tornou alvo de modificações – parte da lenda diz que houve desde tentativas de atirar cadeiras à tela, até colocar fogo na sala de cinema. O filme foi cortado de 94 para 81 minutos, ainda assim não sendo apreciado pelo público. Banido pelos censores franceses e, posteriormente, pelos alemães durante a Ocupação, viu finalmente seus negativos perdidos nos bombardeios de 1942. Só no final da década de 50 é que o filme ganharia uma reconstrução, sob a supervisão de Jean Gaborit e Jacques Durand, em uma versão de incríveis 106 minutos.

Durante a ocupação da França na Segunda Guerra Renoir buscou exílio nos Estados Unidos, onde realizou, entre outros, This Land Is Mine em 1943 (de temática anti-nazista) e The Southerner em 1945. Durante sua estadia na América, no entanto, diz dificilmente ter encontrado propostas de filmes que realmente o agradassem. Ao longo de sua carreira enfrentou certo grau de dificuldade para obter financiamento, sendo obrigado a vender quadros de seu pai para realizar algumas de suas obras. À medida que foi envelhecendo, seus filmes foram adquirindo um caráter mais pessoal. Além de desenvolver um estilo mais “autoral”, é também notável um desvio dos temas mais  engajados, e até “esquerdistas”, do início de sua filmografia. Realizaria um total de  41 filmes.

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