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Aurora

F.W. Murnau (28/12/1889-11/3/1931), cineasta alemão, foi um dos mais importantes realizadores do cinema mudo e do cinema expressionista alemão. Friedrich Wilhelm Plumpe, mais conhecido como F.W. Murnau nasceu em Bielefeld e freqüentou as universidades de Heidelberg e de Berlim. Estudioso de literatura, música e filosofia, faz em 1919 seu primeiro filme, O Menino Azul, com forte influência do expressionismo, movimento de vanguarda do cinema alemão.

Em 22 obras, revela-se um diretor versátil: cria desde filmes de terror, como Nosferatu (1922), baseado no romance Drácula, de Bram Stoker, até melodramas realistas, como A Última Gargalhada (1924), ou adaptações de clássicos como Fausto (1926), da obra de Goethe. Retrata a crise dos anos anteriores ao nazismo na Alemanha e torna-se precursor da escola do kammerspiel – o cinema de caráter psicológico, filmado com câmera intimista, usada para captar de perto os sentimentos dos personagens.

Murnau emigra para os Estados Unidos em 1926 onde começa a trabalhar para Hollywood. Seu primeiro filme nos EUA, Aurora (Sunrise,1927) é baseado no romance de Herrman Suderman, a Viagem a Tilsit. Devido sua reputação pelos filmes alemães, Murnau beneficiou-se de um orçamento considerável, escolheu sua equipe de produção e recebeu carta branca da Fox pra inovar. Aurora ganhou o Oscar de melhor produção artÍstica, fotografia e atriz, para Janet Gaynor.

Aurora centra-se na história de um casal (Janet Gaynor / George O’Brien) que vive no campo, cuja união é ameaçada pela amante proveniente da cidade (Margaret Livingston) que desperta no marido o sonho pela agitação urbana. Murnau opõe a eternidade do amor entre os protagonistas – simbolizada no re-casamento na igreja, seguida da inserção de travelling do casal caminhando em imagem de rua movimentada (de maneira que carros e bondes literalmente passam através dele, como se estivesse para além daquele lugar), até o beijo que paralisa o mundo, em seqüência das mais extraordinárias do cinema – à efemeridade do meio urbano, mundano e frívolo por excelência.

O filme tem algo do “romance de formação” (Bildungsroman), gênero tipicamente alemão, que tem como conclusão à formação da personalidade humana, onde o indivíduo, através de seus erros, se transforma num homem de verdade. São romances cuja única conclusão é o crescimento humano em direção à maturidade.

Aurora é um filme do período mudo que serviu de modelo para outros grandes clásicos que lhe seguiram. Ajudou a consolidar o cinema como linguagem específica e, ao mesmo tempo, através de sua viagem pelas emoções humanas estabeleceu o gênero melodramático.

Em seguida, F.W. Murnau realiza Tabu (1931), seu último filme. Tabu foi filmado nos mares do sul, longe dos grandes estúdios e junto com Luzes da Cidade, de Charles Chaplin, encerra a fase do cinema mudo.

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