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M – O Vampiro de Dusseldörf

Fritz Lang nasceu em Viena, na Áustria, em 5 de dezembro de 1890. Estudou engenharia civil na Universidade Técnica de Viena, mas em 1910 largou o curso e começou uma viagem pelo mundo. Estudou pintura em Paris, em 1913, mas depois de um ano voltou para a Áustria por conta da Primeira Guerra Mundial. Lutou na Rússia e na Romênia, onde foi ferido três vezes. Em 1916, enquanto se recuperava de ferimentos, anotou algumas idéias e cenários para filmes. Liberado do serviço militar sob o posto de tenente no ano de 1918, atuou no circuito de teatro vienense por um tempo até ser contratado por uma empresa de filmes alemã como roteirista. Logo depois alcançou o cargo de diretor pela UFA.

M foi filmado em 1931, após Metrópolis (1927), e é seu primeiro filme falado. Aqui, Lang promoveu uma verdadeira revolução no que era então a utilização do som em filmes. Este aparece como contraponto à imagem, valorizando-a com efeitos como a voz em off, fazendo a ligação entre cenas ao invadir ou antecipar a imagem seguinte. Com M, Lang viria a influenciar o gênero noir, com sua temática voltada ao drama policial. Este nunca deixaria de render créditos ao expressionismo alemão.

O expressionismo surge no cinema por volta da década de 1920, com filmes como O Golem (1914) e O Gabinete do Doutor Caligari (1919), aclamado como primeiro filme expressionista. Nessa época a Alemanha vivia o pós-guerra, logo não é de se admirar que os filmes do expressionismo, muitas vezes, possuíssem enredos sombrios ou trabalhassem com figuras mitológicas como vampiros, golens, etc, num justo alinhamento com o imaginário cataclísmico de seu tempo. Os cineastas alemães há alguns anos já utilizavam o jogo de sombra e luz, mas no expressionismo, em conjunto com as deformações do cenário, atingem outro patamar, criando uma interação orgânica entre os personagens e o mundo que os rodeia, transformando os próprios objetos, antes periféricos, em personificações do universo psicológico da trama.

Logo após a conclusão de M, Lang imigra para os Estados Unidos, fugindo da ascensão do nazismo. Lá passa a trabalhar para os grandes estúdios e consegue naturalidade americana em 1939. Muitos dos filmes que dirige nessa época são incluídos dentro da filmografia noir que ele próprio influenciou, sendo Lang um grande colaborador na expansão e evolução do cinema americano. Mais tarde, cansado dos produtores americanos, ele retorna para a Alemanha no intuito de filmar O Sepulcro Indiano (Das Indische Grabmal, 1959) e O Tigre-de-Bengala (Der Tiger von Eschnapur, 1959), e, por fim, Os Mil Olhos do Doutor Mabuse (Die Tausend Augen des Doktor Mabuse, 1960). O último finaliza uma trilogia iniciada em 1922 com Dr. Mabuse, o jogador (Doktor Mabuse, der spieler). Participa ainda do filme Desprezo (Le Mépris, 1963), de Jean-Luc Godard, onde interpreta ele mesmo. Morre em 1976, nos Estados Unidos.

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