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Rastros de Ódio

John Ford foi um dos principais e mais celebrados realizadores do cinema clássico americano. Começou no cinema como ator de filmes dirigidos por seu irmão mais velho e chegou a atuar em filmes de outros diretores, como Griffith. A partir da década de 20 começa a dirigir e a ser reconhecido, sendo seu primeiro sucesso o western Iron Horse (1924). Apesar de mais conhecido por seus westerns, como O Homem que Matou o Facínora (1962) e No Tempo das Diligências (1939), John Ford fez filmes de diversos gêneros. Alguns exemplos são o drama social baseado na obra homônima de John Steinbeck, As Vinhas da Ira (1940), o drama Como era Verde meu Vale (1941), que retrata uma Irlanda pueril e romantizada (vale lembrar que Ford tem descendência irlandesa) e a cine-biografia Young Mr. Lincoln (1939).

O western, gênero que John Ford ajudou a construir, se caracteriza inicialmente por um recorte espaço-temporal que é o do oeste dos Estados Unidos na segunda metade do século XIX. Mas é através da mitificação, ou seja, da universalização dos elementos desse universo, que o gênero se consolidou como tradição. O aspecto central do gênero western é a figura do herói e o seu papel de derrotar o mal. Sua jornada se dá na tensão entre a lei e o desejo, o código de conduta e as opções individuais, a harmonia e o banditismo, ou ainda salvar a cidade ou ficar com a mulher. Diferente de um aspecto de profundidade psicológica (já que o western tradicional é praticamente anti-psicológico), esses dilemas são estritamente morais e se dão no jogo simbólico entre os personagens de um filme desse gênero.

Entre os diversos filmes citados, principalmente nos westerns, vemos o que seria o grande tema do autor John Ford: o processo de domesticação, de formação civilizatória (sendo a família o principal símbolo) em um país ainda em construção, em parte selvagem. Isso se torna mais claro em seus últimos filmes, principalmente em O Homem que Matou o Facínora e Rastros de Ódio.

Rastros de Ódio conta a história da procura de Ethan Edwards (John Wayne), ajudado por Martin Pawley (Jeffrey Hunter), por sua sobrinha Debby (Natalie Wood), única sobrevivente do massacre da família Edwards logo depois o retorno de Ethan da Guerra da Secessão. Para isso, Ethan terá que confrontar o chefe Scar, líder de uma facção Comanche agressiva. O filme de Ford se constrói na dialética entre o mundo bárbaro e o civilizado. Ethan é o agente do mundo externo, selvagem, que trabalha a favor do mundo doméstico. Através desta relação o filme expõe algumas questões, como a do racismo, ponto sempre visto como problemático na história do gênero western. O dilema final do filme se dá em Ethan aceitar ou não Debby, que agora tem traços indígenas em sua identidade.

Rastros de Ódio (The Searchers, 1956), tem 125 min e é o filme mais conhecido de John Ford.

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