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Scarface

O período de maior censura no cinema norte-americano coincide com seu período de maior sucesso, reconhecida como a Era de Ouro Hollywoodiana. No final da década de 1920, o público americano tornou-se receoso com o retrato cada vez mais freqüente da violência, do sexo, e do lawlessness no cinema. A Motion Picture Producers and Distributors of America (M.P.P.D.A.), em 1930, cria um código auto-regulatório denominado Prodution Code ou Hays Code que determinou padrões gerais de conduta moral, bom gosto e o quê deveria ou não ser mostrado em filmes americanos. Agindo de forma mais severa a partir de 1934, ele regulava a aparição de nudez, drogas, conteúdo moralmente inaceitável, violência. Segundo o código, «nenhum filme produzido abaixará os padrões daqueles que o vêem. A simpatia das audiências deve nunca ser jogada para o lado do crime, do mal ou do pecado». Através dos anos o código foi apenas ligeiramente modificado, mas teve um efeito profundo no cinema americano. Seu selo da aprovação era negado a toda película que não se encontrasse dentro de seus padrões, um risco que poucos produtores levaram em frente. A eficácia do selo do código da produção seria testada somente ocasionalmente por produtores como Howard Hughes (The Outlaw) e por Otto Preminger (The Moon Is Blue) e filmes como Psicose e Quanto Mais Quente Melhor, foram lançados sem aprovação dos censores.

Scarface é um exemplo clássico da aplicação do código de censura. Baseado no romance de Armitage Trail, claramente inspirado no mafioso Al Capone, o filme acompanha a ascensão e queda do gangster Tony Camonte (Paul Muni), na Chicago dos anos 20 sob o efeito da Lei Seca. O filme que estava finalizado desde 1930 só foi liberado para exibição em 1932, pois os censores entenderam que o filme mostrava que a vida no crime era fácil demais, glorificava o estilo de vida gangster e era excessivamente violento. Diversas cenas foram re-editadas, o final refilmado. Como nenhuma destas mudanças satisfez aos censores, Howard Hawks decidiu então abandoná-las e lançou o filme sem aprovação prévia. Mesmo assim, o subtítulo «The Shame of the Nation (A Vergonha de uma Nação)» foi adicionado ao título original e um epílogo explicativo acrescentado ao inicio do filme.

O filme de Hawks é um dos formadores do gênero gangster no cinema americano e influenciou a estética dos filmes noir. Marco dos primórdios do cinema sonoro ajuda a formar uma gramática cinematográfica conciliando som e imagem na construção de um realismo, seja dramaticamente e na representação dos atores, seja no universo narrativo do filme. Apesar de não ser a revolução quanto à utilização sonora como é M de Fritz Lang; o cânone dos cânones nesse aspecto; ele utiliza-o de maneira construtiva e essencial à narrativa, já se desprendendo o som do aspecto de novidade técnica.

Howard Hawks foi um dos principais e mais versáteis diretores do período clássico do cinema americano, dirigindo clássicos pelos gêneros aos quais visitou como screwball comedies (Levada da Breca), westerns (Rio Lobo e Rio Bravo), musicais (Os Homens Preferem as Loiras) alem de dramas, noir, sci-fi. Foi assistente de produção e direção dos principais diretores da primeira geração hollywoodiana como Cecil B. DeMille, Allan Dwan, e Marshall Neilan. O conceito de Hawks para um grande filme era «três grandes cenas, nenhuma ruim».

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