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Titicut Follies

Titicut Follies (1967), Frederick Wiseman

Pode-se dizer que Frederick Wiseman possui uma trajetória singular no mundo do cinema documentário. Iniciado no Cinema um tanto tardiamente, foi somente a partir de desdobramentos de uma profissão enquanto professor de direito – uma visita com a classe universitária ao Instituto para os Criminalmente Insanos de Bridgewaters, Massachussets – que ele começou a transformar em matéria fílmica sua particular maneira de observar a realidade. É esse contato inicial com o novo meio, e tudo o que ele possibilita em termos de expressividade e complexificação do objeto colocado em análise -  nesse caso, o Instituto – que transparece em Titicut Follies.

Uma constante no cinema de Wiseman (tentador falar em quase uma obsessão) é a escolha por lidar com o dia a dia de uma instituição, se atendo de maneira detida e meticulosa às diferentes situações que dela derivam. Há, inclusive, um confinamento auto inflingido pelo filme para o interior das instituições retratadas, seja em termos de universo escolhido quanto de restrições de cunho espacial (sendo o caso da maior parte dos filmes do início de sua carreira) como o faz seus Highschool (1968), Hospital (1970), Law and Order (1969) e que Titicut Follies é a maior representação. Além da função de um “dispositivo” para o documentário, de uma espécie de ponto de partida para a abordagem e condutor do desenvolvimento fílmico, a recorrência institucional acarreta em uma série de outras questões. Aspectos tão abrangentes que vão desde implicações sobre o discurso transmitido pelo filme a respeito das instituições (ponto de vista da obra versus visão do realizador) até o grau de manipulação da realidade ocorrida nos diferentes estágios do processo cinematográfico – as escolhas do que e como filmar e idéias abstratas construídas através da montagem, etc.

O aspecto mais interessante em relação a essa abordagem, no entanto, acaba sendo a maneira que os filmes são lidos pelo espectador. Dotados de uma inerente ambivalência, possuem uma abertura interpretativa tal que acaba sendo possível que, ao mesmo tempo, as instituições se identifiquem com suas representações fílmicas – se vendo legitimadas em seus respectivos discursos – e que uma leitura altamente crítica e racionalizante seja realizada por outras pessoas completamente diferentes. Os filmes de Wiseman são interpretados de acordo com o que o espectador carrega como bagagem – moral, social – antes de ser apresentado ao filme; a obra será responsável, tão somente,  por trazer isso à tona e, conseqüentemente, suscitar uma espécie de auto reflexão espectatorial incrivelmente produtiva.

“Uma grande diferença ente Wiseman e quase todos os outros cineastas americanos hoje é que ele é um artista capaz de exercer uma consciência múltipla – de ver a vida de sua perspectiva pessoal e, ao mesmo tempo, ser objetivo o suficiente para permitir, e até encorajar, outras e opositoras perspectivas .

Carla Italiano

Sugestão de Leitura

http://www.iol.ie/~galfilm/filmwest/40wiseman.htm
http://www.contracampo.com.br/28/wiseman.htm

1Atkins, Thomas R. “The films of Frederick Wiseman: American Institution”

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