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Um Homem com uma Câmera

  Na década de 20, a União Soviética viu florescer grandes idéias sobre cinema, a vanguarda russa já tinha dado frutos nas artes plásticas e literatura. É preciso lembrar que no cinema (a arte proclamada por Lênin como oficial do país socialista) não houve um movimento único e uniforme, cineastas de grande destaque como Eisenstein, Pudovkin e Vertov tinham idéias muito diferentes sobre o que é o como se deve fazer cinema. Então, para ser mais preciso dois cineastas e um kinoks com visões distintas sobre a arte cinematográfica.

  O grupo fundado em 1919 por Dziga Vertov (os Kinoks) lançou, em 1922, um manifesto intitulado Nós. Declaravam sua diferença aos cineastas, fazem um pequeno elogio aos filmes de aventura americanos pela velocidade de imagem e pelo primeiro plano, mas logo afirmam que o cine-drama é sem fundamento, é a banalidade da cópia da cópia. A luta aqui é contra o cinema representacional, contra as amarras do cinema com o teatro, música e literatura, “Nós buscamos nosso ritmo próprio, sem roubá-lo de quem quer que seja, apenas encontrando-o, reconhecendo-o nos movimentos das coisas”.

  Dziga Vertov fazia, então, as chamadas atualidades, cenas de cerimônias, casamentos, reuniões, manifestações, desportos, filmar sem ser notado era essencial. O diretor defendia uma nova concepção das atualidades filmada com o Cine-olho, pois ele capta aquilo que o olho nu não vê.  Vertov acreditava que através da câmera era possível construir um novo mundo que nossos olhos desconhecem e a partir da montagem o kinok-montador era responsável por reorganizar tal mundo. O cine-olho é o uso conjunto da ciência e das antigas atualidades cinematográficas, a tentativa de mostrar na tela a cine-verdade. Cine-olho é a possibilidade de fazer da mentira a verdade.

  Ao realizar Um Homem com uma Câmera em 29, Vertov já colocava em prática o rádio-olho (e os Kinoks se tornariam Raioks), o filme deveria ser tanto visto como ouvido. No módulo anterior do cineclube, cinema contemporâneo, os últimos filmes exibidos se caracterizavam pela tendência de imersão através de imagem e som bem elaborados, o cinema de Vertov é um pouco isso. Ele buscou aquilo que o cinema poderia oferecer de puro com uma linguagem própria e única tendo como base a montagem. Assim, o cinema revelaria aspectos sociais, seria uma verdadeira investigação estrutural da sociedade, um ponto de vista construído pela montagem de imagens que se relacionam por temas, planos, enquadramento, movimentos internos.

  Vertov ainda exalta em seus manifestos sua crença na utopia de uma nova sociedade industrial socialista, não acredita nos gestos humanos, mas nos gestos repetitivos das máquinas, é preciso, segundo ele, dar movimento aos objetos. Em Homem com uma Câmera tudo isso está lá, a experimentação da sua linguagem, as cenas de cotidiano, mulheres trabalhando, bondes circulando pela cidade, a multidão andando pelas ruas, esportes e muitas engrenagens de todo tipo de máquina em movimento ritmado tanto pela banda sonora quanto pela imagem.  

Comments

Comment from Patricia
Time 7 de setembro de 2010 at 16:31

Olá, quem escreveu esse texto? Gostaria de utilizar alguns trechos em um artigo para uma disciplina e quero dar os devidos créditos ao autor do texto. Obrigada.

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