Próximas exibições

Receba a programação por e-mail

Calendário de Exibições

junho 2009
seg ter qua qui sex sáb dom
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930EC

Pesquisar

Textos das sessões passadas

A Tortura do Medo

A  Tortura do Medo foi  extremamente criticado e  crucificado por seus  contemporâneos. Foi a  primeira tentativa do  britânico Michael Powell,  depois 19 filmes em  parceria com Emeric  Pressburger, de uma  produção solo. Powell  foi ostracizado pela  indústria cinematográfica,  que considerou seu filme  uma ofensa devido ao  seu conteúdo sexual  e violento. Como consequência,  o diretor só produziu  mais três filmes nos  trinta anos que se  seguiram, até sua morte.
Assim  como importantes cientistas  e escritores, com o  passar dos anos, o  filme e o diretor  ganharam uma legião  de seguidores, que reconheciam  sua brilhante técnica  e o instigante conteúdo  do seu trabalho, que  estava muito à frente  de sua época. Até  o momento da sua  morte, Powell já era  considerado grande influencia  para notáveis diretores  em ascensão como Martin  Scorsese e Francis Ford  Coppola.
Em  a Tortura do Medo  é retratado as tendências  psicóticas do fotógrafo  e operador de câmeras  Mark Lewis (Karl Boehm),  que quando mata mulheres  com uma lança embutida  em seu tripé filma  em película os últimos  gritos de horror e  agonia das suas vítimas.  Com as imagens capturadas  pretende concluir um  documentário sobre a  investigação dos assassinatos.  Mark, então, cria situações  - como quando ele  aborda o psiquiatra  -  para que eventualmente  a investigação leve  a ele, no caso  até o final do  seu documentário, como  planejara.
A  ousadia do diretor ao  usar cores dramáticas  e fortes como pano  de fundo dá ao  thriller psicológico uma  atmosfera contrastante em  relação ao enredo.  O modo como Powell  conduz a narrativa nos  leva a sentir compaixão  por Mark e transferir  toda culpa para o  seu pai (Michael Powell),  um cientista fascinado  pelas expressões de  terror das pessoas e  que usava seu filho  como cobaia de seus  experimentos, filmando ele  durante toda a infância  para registrar suas  expressões. Como resultado,  o espectador não sabe  como reagir em relação  a Mark, já que  o filme sugere que  o pai de Mark é  o verdadeiro criminoso,  o grande responsável  pela tragédia do filho.  No final, quem assiste  tem a esperança de  que Mark vai conseguir  escapar e viver tranquilamente  com Helen Stephen (Anna  Massey).
Esse  filme retoma a discussão  do cinema como ato  de voyeurismo além  do seu conteúdo meta-linguístico.  Apesar de todo sensacionalismo  envolvendo o filme,  Michael Powell tinha  a intenção de levantar  discussões sobre o  papel do espectador  como voyeur e questões  como sexualidade no  crime. O posicionamento  de câmera de Powell  nos coloca atrás de  Mark e seus espectadores  fazendo com que nos  tornemos cúmplices do  crime. Isso deixa quem  está assistindo numa  encruzilhada. De onde  estamos é fácil crucificar  a necessidade do personagem  de ver o sofrimento,  o terror. Mas, não  estamos fazendo exatamente  a mesma coisa assistindo  o filme?
Mais  de 40 anos depois  de sua estréia, o  filme de Michael Powell  se tornou um dos  principais thrillers psicológicos  já feitos. Assim como  cita Martin Scorcese,  grande admirador do  trabalho de Powell,  ”A Tortura do Medo”  e “8½” de Frederico Fellini, possuem tudo o que pode ser dito sobre fazer cinema: “Eu sempre senti que A Tortura do Medo e 8½ falam tudo que pode ser dito sobre fazer cinema, sobre o como lidar com o filme, a objetividade e a subjetividade dele e a confusão entre elas. 8½ captura o glamour e o prazer da direção, enquanto A Tortura do Medo mostra a agressão por trás do processo, como a câmera viola a privacidade e o limite da mente.”
Marina  Ferreira do Amaral Watson-Wood

A  Tortura do Medo foi  extremamente criticado e  crucificado por seus  contemporâneos. Foi a  primeira tentativa do  britânico Michael Powell,  depois 19 filmes em  parceria com Emeric  Pressburger, de uma  produção solo. Powell  foi ostracizado pela  indústria cinematográfica,  que considerou seu filme  uma ofensa devido ao  seu conteúdo sexual  e violento. Como consequência,  o diretor só produziu  mais três filmes nos  trinta anos que se  seguiram, até sua morte.

Assim  como importantes cientistas  e escritores, com o  passar dos anos, o  filme e o diretor  ganharam uma legião  de seguidores, que reconheciam  sua brilhante técnica  e o instigante conteúdo  do seu trabalho, que  estava muito à frente  de sua época. Até  o momento da sua  morte, Powell já era  considerado grande influencia  para notáveis diretores  em ascensão como Martin  Scorsese e Francis Ford  Coppola.

Em  a Tortura do Medo  é retratado as tendências  psicóticas do fotógrafo  e operador de câmeras  Mark Lewis (Karl Boehm),  que quando mata mulheres  com uma lança embutida  em seu tripé filma  em película os últimos  gritos de horror e  agonia das suas vítimas.  Com as imagens capturadas  pretende concluir um  documentário sobre a  investigação dos assassinatos.  Mark, então, cria situações  - como quando ele  aborda o psiquiatra  -  para que eventualmente  a investigação leve  a ele, no caso  até o final do  seu documentário, como  planejara.

A  ousadia do diretor ao  usar cores dramáticas  e fortes como pano  de fundo dá ao  thriller psicológico uma  atmosfera contrastante em  relação ao enredo.  O modo como Powell  conduz a narrativa nos  leva a sentir compaixão  por Mark e transferir  toda culpa para o  seu pai (Michael Powell),  um cientista fascinado  pelas expressões de  terror das pessoas e  que usava seu filho  como cobaia de seus  experimentos, filmando ele  durante toda a infância  para registrar suas  expressões. Como resultado,  o espectador não sabe  como reagir em relação  a Mark, já que  o filme sugere que  o pai de Mark é  o verdadeiro criminoso,  o grande responsável  pela tragédia do filho.  No final, quem assiste  tem a esperança de  que Mark vai conseguir  escapar e viver tranquilamente  com Helen Stephen (Anna  Massey).

Esse  filme retoma a discussão  do cinema como ato  de voyeurismo além  do seu conteúdo meta-linguístico.  Apesar de todo sensacionalismo  envolvendo o filme,  Michael Powell tinha  a intenção de levantar  discussões sobre o  papel do espectador  como voyeur e questões  como sexualidade no  crime. O posicionamento  de câmera de Powell  nos coloca atrás de  Mark e seus espectadores  fazendo com que nos  tornemos cúmplices do  crime. Isso deixa quem  está assistindo numa  encruzilhada. De onde  estamos é fácil crucificar  a necessidade do personagem  de ver o sofrimento,  o terror. Mas, não  estamos fazendo exatamente  a mesma coisa assistindo  o filme?

Mais  de 40 anos depois  de sua estréia, o  filme de Michael Powell  se tornou um dos  principais thrillers psicológicos  já feitos. Assim como  cita Martin Scorcese,  grande admirador do  trabalho de Powell,  ”A Tortura do Medo”  e “8½” de Frederico Fellini, possuem tudo o que pode ser dito sobre fazer cinema: “Eu sempre senti que A Tortura do Medo e 8½ falam tudo que pode ser dito sobre fazer cinema, sobre o como lidar com o filme, a objetividade e a subjetividade dele e a confusão entre elas. 8½ captura o glamour e o prazer da direção, enquanto A Tortura do Medo mostra a agressão por trás do processo, como a câmera viola a privacidade e o limite da mente.”

Marina  Ferreira do Amaral Watson-Wood

Write a comment