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As Cinco Obstruções

Reconstruindo um Gênio

O desafio dos parâmetros criativos ao alcance do espectador.

O diretor dinamarquês Lars Von Trier apresenta, em The Five Obstructions, o espaço amargo que existe entre a idéia do autor e a possibilidade de realização dessa idéia; entre a genialidade e a circunstância. Afinal, quem nunca sentiu sua criatividade frustrada ao ser aprisionada em um sistema? A realidade imposta por um produtor é o maior inimigo a genialidade de um diretor? Qual a distância entre o criador e o monstro? Os gênios existem ou são construídos? Quantas barreiras são humanamente superáveis?

A síntese das perguntas acima se apresenta na proposta do filme, feita ao ídolo de Von Trier, Jorgen Leth, de refilmar sua obra “The Perfect Human” (1967) com cinco obstáculos distintos. O que a principio parece obsessão de um fã buscando atestar a genialidade do ídolo, vira um complexo ensaio atemporal sobre o cinema, a indústria cinematográfica, a genialidade, a autoria e a arte de um modo geral. Da mesma forma que se procura variações de “O Homem Perfeito” existiria um artista perfeito independente das circunstâncias e até que ponto a industria castra esse exercício de perfeição?

Maquiavelicamente, Lars atinge seu objetivo, encarnando o papel de produtor do filme, em uma espécie de “making off” nada dialético e com um extremo envolvimento do público, que vence as barreiras e se entrega ao processo como mais um pião desta maratona. Entretanto, não é possível se desvencilhar da sensação de que Von Trier é mais um maestro do que um produtor genitor de idéias, e que de fato ele procura provar algo com esse exercício. E aqui cabe a dicotomia desse papel de produtor, de criar os obstáculos e prover as formas de contorná-los, por vezes, com toques de genialidade atribuídos a Leth. O resultado é um filme metalingüístico de 90min – extravasando da Europa capitalista para a América socialista, a autoridade de diretor para a prática de ator, o formal para o liberto, a realidade para a representação e o desgaste da execução para o louvor do reconhecimento. Além de 5 curta metragens, vários festivais (como Sundance Film e o de Veneza) e um novo auge na carreira de Jorgen Leth – que nos leva a questionar se é o ídolo que faz o fã ou o se é do fã que nasce o ídolo?

Gabriela Jardim Aquino e Bruno Martone Nucci

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