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O Estado das Coisas

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O que vimos neste módulo, o Cinema por ele mesmo foi a descrença com o Cinema. Tal sentimento parece bem claro nesse filme, assim como o Nick’s Movie (1980). Mas por que o Cinema morreu? Ou melhor, qual Cinema morreu? O que faz o cineasta nesta agonia? Onde se encontra a falência da Imagem?

O filme é um ensaio ao esgotamento de um cinema autoral para o cinema de produtores. O Cinema perdeu sua hegemonia no imaginário popular e perdeu espaço para a TV e a publicidade. Nunca vivemos numa sociedade tão imagética, mas ao mesmo tempo, tão midiática. E a imagem como informação midiática é somente manipulação e autoritarismo. A Imagem não tem mais impacto, o zapping e o videoclipe é o que impera. O Cinema passa a ser mais um meio tecnológico, e não a arte final que imprime estética e conceito. A Imagem não é mais política, e sim mercadoria.

Pensando nisso, a única saída da Imagem é refletir sobre si mesma, e o papel do cineasta é pensar no seu próprio trabalho. O Cinema perdeu sua função realista, de revelar o real. Ele é sempre posto em dúvida, é a cópia da cópia. Wenders assume o simulacro, não pretende fazer um filme realista, não quer contar uma história onde tudo tem uma justificativa e uma razão. Ele quer filmar o que não acontece, o interstício, as lacunas entre os atores e acontecimentos. A história só existe em si mesma, enquanto a vida passa, sem a necessidade de criar histórias.

O cineasta como um sobrevivente. Wenders expõe o processo de criação do cinema como algo doloroso, porque no transcurso dele, vão ficando ás coisas que se amam. Usando o livro “Os buscadores” ele nomeia aos cineastas como aqueles corajosos que seguem em frente sem conhecer o caminho, sem pensar nas pedras, e o pior, sem saber que são corajosos. Onde a razão para continuar caminhando é só pela jovem e sonhadora idéia de que a vida sem histórias não tem graça de ser vivida. Coloca ao cineasta num espaço desolador porque no processo de criação ele enceguece e fora do cinema perde as esperanças.

O filme tem momentos que nos fala de alguma esperança de resgatar o cinema. Por exemplo, a metáfora da casa e suas paredes. Uma casa não pode ser construída sem paredes, nem um filme pode se construir sem história. E o produtor quer um Cinema com paredes, com história, um Cinema que não trate da realidade. O que Wenders propõe é uma realidade diferente, de lacunas, de não dar tudo ao espectador, pôr os espaços em branco de nossas vidas no filme. Ele quer quebrar as paredes, e por isso não é aceito.

É um círculo vicioso. Sem saída. Mas a sua busca por uma não-história não tem lugar do mercado cinematográfico, e assim se dá a morte pela não possibilidade do cinema, como linguagem, se revelar mais uma vez. Resta apenas o mesmo gosto na boca, o gosto de si mesmo e da dúvida. O peso de tudo que já foi feito e uma possível impossibilidade de criar o novo.

María Lorena Caicedo e Rodrigo Ramos

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