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Bang Bang

Nascido na Itália em 1944, Andrea Tonacci mudou-se para São Paulo com a família aos 11 anos de idade. Iniciou sua carreira como diretor com o curta-metragem Olho por Olho (1966), mas foi com Bang Bang (1970) que Tonacci ficou conhecido dentro do cinema marginal. Logo após, viajou para o exterior acompanhando uma peça de Victor García produzida por Ruth Escobar, o que resultou no longa Jouez Encore, Payez Encore (1975-1995). Por tratar de forma crua o processo de produção da peça, o filme acaba sendo embargado judicialmente. Na seqüência, Tonacci ainda produz Conversas do Maranhão (1977) antes de começar um longo trajeto de vídeos para TV e institucionais que desembocam no misto de ficção e documentário Serras da Desordem (2005).

O cinema marginal se apropriava da cultura pop, de massa, do kitsch, dos quadrinhos para desenvolver uma estética própria totalmente irônica e desencantada, eliminando qualquer dimensão utópica. Veio em contraposição ao cinema novo, que procurava uma identidade nacional e, nessa época (por volta de 1968), um diálogo com o público ao render-se à política da Embrafilme e simplificar sua linguagem. Se o cinema novo defendia a estética da fome, o cinema marginal passa a defender a estética do lixo, que focaliza no periférico, que tem sua moral na corrupção, sua lógica interna na incongruência.

Bang Bang surge após O Bandido da Luz Vermelha e Matou a Família e foi ao Cinema com uma explosão total da narrativa. O que se vê na tela são bandidos, um mocinho que talvez não seja bem um herói, uma dançarina, um taxista, um mágico, mas nenhum traço daquilo que poderia se chamar de enredo. Os elementos do cinema marginal todos ali: os personagens remetem aos quadrinhos, o velho Buick dos anos 50 à cultura de massa, a ironia das seqüências autocontidas que dispensam qualquer relação de causa e conseqüência. A própria câmera aparece como personagem do filme, como que chegando sempre no meio dos acontecimentos, atrasada.

Andréa Tonacci, após Bang Bang, mesmo mantendo as influências, afasta-se do cinema marginal em busca de um outro olhar. Parte, então, para o Maranhão com intuito de fazer um documentário com os índios sobre confrontos com fazendeiros, e daí em diante, sua produção passa a ser em grande parte documental.

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