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Ganga Bruta

Filho de imigrante italiano e uma intelectual mineira, Humberto Mauro nasce em 30 de abril de 1897, em uma fazenda em Volta Grande, Minas Gerais. Tinha 26 anos quando começou se interessar por cinema, impulsionado por filmes e seriados de aventura. O contexto brasileiro também era favorável, pela expansão cinematográfica e pela repercução da semana da Arte Moderna de 22, representada pela revista Verde em Cataguases. Aparado por amigos e comerciantes de Cataguases filma seus primeiros curtas e longas. Com alguma repercussão, em 1930 se instala no Rio de Janeiro, para trabalhar na empresa cinematográfica Cinédia, de seu amigo Adhemar Gonzaga, onde realiza entre outros, Ganga Bruta.

Mauro sai então do cinema regional feito em Cataguases para um projeto maior de modernização, de mostrar aspectos singulares e em transformação da sociedade brasileira, a urbanização, a industrialização e usar o cinema como objeto transformador. Como Gonzaga, seu produtor, Mauro acreditava que a transcrição em moldes brasileiros dos ingredientes do cinema americano viria a produzir a atualização da sociedade e a inserção do Brasil no mundo ocidental, mostrando assim um país moderno. Esses aspectos são caros a Ganga Bruta, que mostra um engenheiro e urbanista que após assassinar sua esposa na noite de núpcias por traição da mesma e ser absolvido, muda-se para uma cidade no interior no Rio de Janeiro. O filme denota então aspectos nacionais remodelados por um ideal hollywoodiano, sem mostrar pobres ou negros, em um filme híbrido sonoro/mudo, contendo falas dubladas, música ambiente e legendas substituindo os intertítulos.

“O último filme ‘Made in Cascadura’, que vimos na Cinelândia, tinha dois metros de celulóide, esticando uma bobagem que caberia nas costas de um selo. O público riu do drama até onde pôde e, quando não pôde mais, foi chorar o dinheiro da entrada na cama, que é lugar quente…”, assim foi recebido Ganga Bruta na época de seu lançamento, obtendo críticas e público fracos, consequentemente sumindo de circulação. Nos anos 50, Carl Scheiby remexendo nos arquivos da Cinédia encontra os negativos, remonta-o com aprovação de Mauro, e exibi-o em 1952 na 1ª Retrospectiva do Cinema Brasileiro, obtendo então consagração, depois de considerado praticamente perdido. É a partir desta redescoberta que Ganga Bruta passe a ocupar seu posto no cânone do cinema nacional. Glauber Rocha em a Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, o aponta como “um dos vinte maiores filmes de todos os tempos” e Mauro como “pai” do cinema brasileiro.

Em 1936, passando por problemas financeiros, Humberto Mauro ingressa no Instituto Nacional do Cinema Educativo – INCE, instituição criada pelo Estado com a proposta de transformar o cinema em meio avançado de educação, onde realiza mais de 300 filmes-documentários até 1967, realizando alguns poucos longas de ficção entre esse período.

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