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Limite

Mário Peixoto nasceu na Bélgica em 25 de Março de 1908, durante uma das viagens da abastada família à Europa. Desde cedo Mário demonstra interesse por cinema, participando em 1928 da fundação do primeiro cineclube brasileiro, o Chaplin Club. Em 1929 vai à Europa para estudar e assistir as principais produções cinematográficas da época, retornando pouco antes de começar as filmagens de seu primeiro e único filme: Limite (1931). Limite foi eleito em 1988 por inquérito nacional promovido pela Cinemateca Brasileira o melhor filme da história do cinema nacional.

Por diversos fatores Limite causou grande polêmica no cenário cultural do país. Em primeiro lugar, devido ao fato dele não ter sido aceito pelos distribuidores, foram poucas as pessoas que puderam vê-lo depois de sua estréia, com exceção de alguns amigos e celebridades para quem Mário organizou sessões particulares. Esse problema se solucionou somente em 1978, quando sua restauração se concluiu e o filme voltou a ser exibido em festivais, sendo que até então muitos críticos chegaram até a questionar se o filme realmente existia, gerando o estigma lendário que até hoje o acompanha.

Além disso, contribuiu para tal fomento, um artigo intitulado “Um Filme da América do Sul” que o próprio Mário Peixoto escreveu sobre seu filme, mas o veiculou em jornais e revistas como sendo da autoria de Sergei Eisenstein. Nesse (assinando como Eisenstein), Mário afirma que o filme tem “rara precisão e engenho” e que “Jamais seguiu a um fio tão próximo ao genial como o dessa narrativa de câmera sul-americana”.

Devido ao descompasso existente entre Limite e os outros filmes brasileiros da época e as viagens de Mário Peixoto ao exterior é freqüente associar seu filme as vanguardas européias. Na década de 1920, já existiam diversas vanguardas cinematográficas, havendo em comum entre elas a rejeição à tradição clássica de “imitação da realidade” consagrada com o realismo da primeira metade do século XIX. Para a vanguarda francesa (também conhecida como Impressionista), ao contrário do cinema de sombras do expressionismo, a dimensão poética da obra deveria emergir da clareza das imagens. Daí provém às idéias de que o cinema não deve falar das coisas, mas mostrá-las e de que os encadeamentos e tensões da narrativa devem dissolver-se em detrimento ao “estado da alma” e a “verdade da Natureza” que surgem da relação câmera-objeto. Apesar das referências a outras vanguardas encontradas no filme, parece ser esse o eixo que Mário utiliza para conduzir sua narrativa.

A metáfora criada na relação entre os dois primeiros planos do filme (a imagem de pássaros voando contraposta a de uma mulher “abraçada” por mãos algemadas) será também explorada na angustiante sensação de um pequeno barco perdido na imensidão oceânica para retratar a limitação de três personagens que vêem e buscam a infinitude, mas que estão algemados aos conflitos de suas realidades pessoais.

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