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Matou a Família e Foi ao Cinema

Júlio Bressane nasceu no ano de 1946 na cidade do Rio de Janeiro. Sua primeira incursão cinematográfica se deu em 1965 como assistente de direção de Menino de Engenho, de Walter Lima Junior, e com os curtas Lima Barreto e Bethânia bem de perto. Em seguida realizaria seu primeiro longa, Cara a Cara (1967), sendo somente com O Anjo Nasceu e, principalmente, Matou a Família e Foi ao Cinema (ambos de 1969) que o diretor ganharia maior notoriedade, se tornando um dos mais conceituados e prolíficos cineastas brasileiros.

Matou a Família e foi ao Cinema é tido como um dos marcos iniciais do Cinema Marginal, e Bressane como um dos responsáveis (juntamente com Rogério Sganzerla e seu Bandido da Luz Vermelha) por imprimir um maior radicalismo ao cinema nacional, articular uma série de questionamentos sobre a estrutura e natureza do filme, além de   aperfeiçoar a “estética do lixo”, característica do Marginal. A abordagem propunha incorporar elementos anteriormente excluídos pelo chamado cinema “culto” e utilizá-los de maneira radical e inovadora. O Cinema Marginal surgiu na década de 60 e foi influenciado pelas mais variadas esferas, desde os movimentos artísticos de contracultura da época (o Tropicalismo, por exemplo) até o universo popular, ou da “cultura de massa”, como o samba, a pornochanchada, o melodrama e as manchetes violentas de jornais. Alguns dos diretores Marginais foram Ozualdo Candeias, Andréa Tonacci, Ivan Cardoso e, principalmente, Rogério Sganzerla – com o qual Bressane desenvolveu um diálogo mais evidente e de cuja parceria resultou, além de vários filmes, a criação de uma produtora (Belair).

Rodado em apenas 12 dias e por um diretor de 23 anos, Matou a Família e foi ao Cinema possui um caráter combativo e imediatista que reflete o contexto político do país (ditadura militar) e, ao mesmo tempo,  revela uma visão desconstrutivista e experimental sobre a narrativa e estética clássica no cinema. O filme é construído através de uma rede de personagens e situações que, aparentemente desconexas, se articulam de forma a  provocar o espectador, e acarretar uma reflexão mais profunda tanto no âmbito do cinema quanto política e socialmente. Matou a Família e foi ao Cinema foi lançado em 11 cinemas, mas retirado pela censura na segunda semana de exibição.

Ao longo dos 40 anos de carreira o diretor realizaria um total de 23 longas, sendo que a partir dos anos 80 seus filmes tomariam um rumo distinto do seu início “marginal”, se tornando cada vez mais pessoais e introspectivos.

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