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O Bandido da Luz Vermelha

Rogério Sganzerla nasceu em Joaçaba (SC) no ano de 1946. Foi o cineasta mais famoso nascido em Santa Catarina e um dos nomes mais conhecidos do cinema nacional. Na década de 60 começa a escrever sobre cinema no Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo, já mostrando predileção ao cinema moderno e seus principais nomes, como Jean-Luc Godard, e Jean-Marie Straub. No final desta década, começa sua trajetória como cineasta. Sua carreira é composta por 25 filmes. Algumas obras de destaque foram “A Mulher de Todos” (1969), “Sem Essa Aranha” (1970), “Abismu” (1977), “Nem Tudo é Verdade” (1986) — que remonta a vinda de Orson Welles ao Brasil, uma das obsessões do diretor brasileiro — e o “O Signo do Caos” (2003). Este último foi exibido FAM 2004 (Florianópolis Audiovisual Mercosul) em homenagem ao diretor dada a sua morte precoce em janeiro de 2004.

Em 1968, com seu primeiro e mais famoso longa-metragem, “O Bandido da Luz Vermelha”, Rogério Sganzerla causou impacto no cinema nacional inaugurando o movimento do Cinema Marginal, originado do bairro boêmio e violento do centro paulistano conhecido como A Boca do Lixo. Este movimento, que contava com outros cineastas jovens como Júlio Bressane, Carlos Reichenbach, José Mojica Marins, Andrea Tonacci e Ozualdo Candeias, trazia o uso linguagem experimental pela colagem de elementos da cultura de massa, a produção independente, a irreverência e o cinismo sobre o projeto político de uma esquerda elitista. Por essas características o Cinema Marginal se opunha ao movimento do Cinema Novo, que começava a institucionalizar uma estética e um expediente cinematográfico na produção brasileira.

Considerado um dos maiores clássicos do cinema brasileiro, “O Bandido da Luz Vermelha” se inspirou na história de João Acácio Pereira da Costa (curiosamente também catarinense, nascido em Joinville), o bandido que ganhou destaque por seus feitos na época e que foi cunhado pela imprensa com o nome que deu título ao filme. Contudo, o filme não é um retrato específico deste criminoso, mas sim um ensaio formal sobre a condição absurda do Brasil, sintetizada nas palavras desesperadas do protagonista como “Quem não pode nada tem mais é que se esculhambar” e “o Terceiro Mundo vai explodir, quem tiver sapato não sobra”. Definido como um “faroeste do terceiro mundo” o filme se constrói numa colagem referências da cultura erudita e popular, como o filme Pierrot Le Fou (1964), de Jean-Luc Godard, história em quadrinhos, narração radiofônica e música erudita.

“O Bandido da Luz Vermelha” é a expressão cinematográfica da Estética do Lixo, idéia de Sganzerla que contrariava a Estética da Fome de Glauber Rocha. A Estética da Fome foi o manifesto do Cinema Novo e via na precariedade e fome do terceiro mundo sua força e originalidade, e na violência sua manifestação mais nobre e maneira de superar a estrutura que cria esta condição de subdesenvolvimento. Já a Estética do Lixo, numa visão mais cínica, sem inocência na sua relação com a cultura de massa e desacreditada de projetos utópicos (reflexo do golpe militar de 64), numa condição já mais próxima da pós-modernidade, trabalha com as sobras estéticas, os lixos, de uma cultura capitalista do primeiro mundo, fazendo disso sua expressão.

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