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Terra em Transe

Glauber Rocha foi um dos principais nomes do Cinema Novo, movimento cinematográfico ocorrido nos anos 50 e 60 no Brasil, que tinha como princípio “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”. Glauber representa uma geração de intelectuais brasileiros que, por possuírem uma profunda consciência histórica, estão atentos à ligação entre o cultural e o político. O filme Terra em Transe se coloca, através dessa consciência, como uma representação alegórica dos golpes de estado ocorridos na América Latina.

Desta forma, o próprio Glauber Rocha se referia a Terra em Transe como "convulsão, choque de partidos, de tendências políticas, de interesses econômicos, violentas disputas pelo poder é o que ocorre em Eldorado, país ou ilha tropical. Situei o filme aí porque me interessava o problema geral do transe latino-americano e não somente do brasileiro. Queria abrir o tema ‘transe’, ou seja a instabilidade das consciências. É um momento de crise, é a consciência do Barravento."

No filme, Paulo Martins (Jardel Filho) é um poeta e jornalista que oscila entre diversas forças políticas em luta pelo poder em seu país, Eldorado, ao planejar a ascensão de um candidato supostamente oposicionista chamado Dom Felipe Vieira (José Lewgoy) e buscando o apoio do maior empresário do país para deter o avanço de uma multinacional estrangeira sobre o capital do país.
É uma alegoria política sobre o Brasil e a América Latina tendo como temas centrais o populismo, as utopias libertárias de esquerda e o concerto barroco de diversas culturas (africana, índia, branca). Retrata também um certo declínio da intelectualidade brasileira, rompendo com a certeza de revolução apresentada em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964).

O filme foi lançado em 8 de maio de 1967 e sofreu problemas com a censura e com os críticos brasileiros e se tornou uma das principais influencias do movimento Tropicalista, que transformou a desilusão de Glauber em riso. Posteriormente, Glauber lançou Câncer, que é uma resposta a Terra em Transe, “reiterando a agressividade no enfoque das relações povo-intelectual e no modo como se encara a miséria e a impossibilidade presente de superá-la”, como afirma Ismail Xavier.

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