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Vidas Secas

Nelson Pereira dos Santos nasceu dia 28 de outubro de 1928 em São Paulo.  Frequentador de cineclubes, formou-se na Faculdade de Direito na USP, e trabalhou como editor de jornais antes de iniciar suas atividades no cinema. Visita o Rio de Janeiro pela primeira vez em 1948 durante um congresso da UNE, Nelson diz que se encanta tanto com a cidade que nem participa do congresso. Quatro anos mais tarde ele se mudaria para o Rio onde trabalharia como assistente de diretor em O Saci de Rodolfo Nanni.

Seu primeiro trabalho no cinema como diretor foi no curta Juventude de 1950, e o primeiro longa veio em 1955 com Rio 40 Graus que apesar de obter sucesso de crítica  e público o filme foi censurado por quatro meses sendo considerado subversivo, pois em plena época da prosperidade de JK o filme mostrava a realidade dos moradores da favela carioca. Rio 40 Graus mostrava forte influência dos filmes neo-realistas italianos, nos quais o cineasta afirma que tais filmes além de ensinarem uma nova linguagem cinematográfica, eram uma aula de produção: filmar na rua, eliminar o estúdio, eliminar as grandes estrelas, filmar o próprio povo, longe das grandes finanças das produções de Hollywood, que a Vera Cruz tentou reproduzir em São Paulo.

Apelidado por Glauber Rocha como o Pai do Cinema Novo, Nelson Pereira dos Santos se destaca também na direção de outros filmes como Rio Zona Norte, El Justicero, Azyllo Muito Louco, Como Era Gostoso Meu Francês, O Amuleto de Ogum, A Terceira Margem do Rio e o mais recente exibido no FAM  deste ano Brasília 18%.

Vidas Secas é baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos e retrata a miséria do povo nordestino, onde uma família de retirantes caminha pelo sertão a procura de uma terra onde possam viver como gente e durmir em cama de couro, como sonha Sinhá Vitória. Segundo o crítico José Lino Grünewald, Nelson Pereira conseguiu recriar o clima do romance para o cinema, diante da apropriação daquilo que se chamou de tempos mortos criados por Michelangelo Antonioni, cenas de um vazio estático que demostra os personagens envolvidos por toda miséria da seca.

Um fato curioso é como Nelson trabalha as filmagens com a cadela Baleia, o cineasta explica as dificuldades e as solução utilizadas durante um seminário em 1964: “No começo, o operador recebia instruções: ‘ela tem de sair da direita e ir para a esquerda‘. Mas no meio do caminho decidia outra coisa, e voltava para a direita. Cortava-se. Repetição. E é nesta altura que surgem as dificuldades econômicas, as limitações materiais do cinema brasileiro. Não tinha muito filme pra gastar. A solução imediata foi eu mesmo fazer câmera e improvisar a continuidade, de acordo com o comportamento da Baleia. Se ela saísse para a direita e saísse bem, do ponto de vista da enquadração e composição, eu, imediatamente após, teria que compor o filme de acordo com a saída dela. O plano seguinte se fazia em função do movimento da Baleia. De maneira que a Baleia é co-roteirista do filme em várias seqüências.”

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