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Mostra Chantal Akerman

“Nos meus filmes, você sente a passagem de cada segundo com o seu corpo, acaba enfrentando você mesmo. Tudo que temos é o tempo.” (Chantal Akerman)

Tempo. Memória. Cotidiano. Feminino.
Estes são temas que permeiam o cinema de Chantal Akerman em todas as suas faces, dos experimentos mais ensaísticos ao documentário mais direto, mas nem de longe são definições que abarcam a obra da artista por completo.
Uma das grandes referências no que se refere a realizadoras mulheres que empregam um olhar singular sobre o feminino, Akerman constrói em seu próprio ritmo a passagem de um tempo que pode ser claustrofóbico, violento, solitário, e demasiado melancólico. O mal-estar intraduzível em seus filmes está nos menores detalhes do cotidiano, e mesmo que registre grandes metrópoles em plano aberto, o urbano de suas obras também espelha uma angústia íntima que atravessa realizadora e espectador.
Além de cineasta, Chantal Akerman também foi escritora, artista visual e atriz em vários de seus longas. Fez parte de uma segunda onda do feminismo, refletindo em seu trabalho sobre a representação de mulheres também no fazer cinematográfico: seu longa mais aclamado, Jeanne Dielman, foi um dos primeiros filmes a contar com uma equipe totalmente feminina. No entanto, Chantal não permitia-se reduzir enquanto artista a rótulos puramente identitários, seja em relação ao feminismo, ou ao fato de ser uma mulher lésbica e judia. Discordava da nomeação de um “cinema feminista”, afinal via o cinema como “campo gerador de liberdade dos limites da identidade”. Para a cineasta, “quando as pessoas dizem que há uma linguagem de cinema feminista, é como dizer que só existe uma maneira para as mulheres se expressarem“.
Trazemos esta mostra não apenas como homenagem a uma voz de influência fundamental na arte do século 20, mas como tentativa de introduzir uma filmografia rica em possibilidades que ainda pouco se discute dentro e fora do meio cinematográfico.

As sessões ocorrem sempre na Sala de Projeção do Bloco D do CCE, às 19h, nas terças-feiras.

Confira a agenda:

News From Home, 1977, 85min – dia 14 de maio às 19 horas, na Sala de Projeção do Bloco D do CCE.
Chantal Akerman é uma cineasta belga que se muda para Nova York e lá enfrenta do desafio de se tornar independente. À medida em que explora a cidade e conhece um pouco mais da sua experiência nova-iorquina, ela tenta se libertar de uma mãe carinhosa mas preocupada e manipuladora que, mesmo estando nas Bruxelas, terra natal de Akerman, procura de todas as formas controlar a vida da moça através da correspondência por cartas, lidas na voz da própria cineasta durante o filme.

Os Encontros de Anna, 1978, 127min – dia 21 de maio às 19 horas, na sala de projeção do Bloco D do CCE
Anna (Aurore Clément), uma diretora de cinema, viaja por diversas cidades para promover seu filme mais recente, tendo em cada uma delas um encontro significativo e marcante – seja com estranhos, amigos ou familiares. Nesses encontros ela vê que, apesar das décadas já passadas, as feridas da Grande Guerra continuam abertas nos seus sobreviventes. Ao mesmo tempo, ela segue física e emocionalmente distante das pessoas ao seu redor.

Eu, Tu, Ele, Ela, 1974, 86min – dia 04 de junho às 19 horas, na sala de projeção do Bloco D do CCE
Em seu primeiro longa de ficção, Akerman assume o papel de personagem. Uma mulher sozinha em seu apartamento escreve cartas a um destinatário desconhecido, depois sai e se encontra com um motorista de caminhão e com uma amante.

Em caso de dúvidas, entre em contato com o CRS através das nossas redes sociais ou do nosso email: cineclubesganzerla.cinema@contato.ufsc.br.

Esperamos você nas sessões!