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O Quarto Verde

Numa pequena cidade francesa, Julien Davenne (François Truffaut) é um jornalista cuja esposa morreu há uma década. Ele guarda todos os pertences pessoais da mulher num quarto verde. Quando um incêndio destrói o local, ele constrói um memorial em sua homenagem e a todos os outros mortos que passaram pela sua vida.

Em seu filme mais sombrio e menos lucrativo, François Truffaut exalta a obsessão pelos mortos em uma adaptação de “O altar dos mortos” de Henry James. “O quarto verde”, de 1978, foi finalizado alguns anos antes da morte do diretor quando afirmava que acabara de completar 46 anos e já se sentia cercado de desaparecidos. Como na maioria de suas produções, Truffaut usa fatos autobiográficos para dar vida às personagens e tecer o fio narrativo.

Julien Davenne é um solitário homem cuja mulher morreu há 11 anos, mas isso não o impede de manter um quarto verde com fotos e pertences de sua mulher e de mantê-la viva em sua imaginação. Porém, após um incêndio no quarto, ele decide montar um santuário para todos seus mortos numa capela no cemitério. O protagonista apresenta seus mortos por fotos na parede e uma referência a “Jules e Jim”, um de seus filmes mais famosos, é evidente com a foto de Oskar Werner. Outras homenagens também são vistas pela foto de Henry James, que lhe ensinou sobre a importância e respeito pelos mortos; de Oscar Wilde; de Jean Cocteau entre outros.

Os primeiros planos sobrepõem imagens documentais da 1ª Guerra Mundial e do rosto desolado de Julien. As imagens originariamente em preto e branco são alteradas com uma tonalidade de azul para reforçar a característica de uma câmera subjetiva do ex-combatente e torná-la mais pessoal do que documental. Julien é interpretado pelo próprio Truffaut para torná-lo mais pessoal, mas não é muito convincente em sua atuação na sequência final em que morre.

“O quarto verde” pode ser considerado uma fábula por seus belos planos com fotografia contrastada pelas cores e luz elétrica para a vida doméstica e pela iluminação das velas na capela, tornando a claridade quase irreal, segundo ele próprio afirma em “O Cinema segundo François Truffaut”. Para evitar muito uso de figurino característico dos anos 30 e reconstrução de época, a maior parte das cenas se passa à noite, o que também acrescenta à ambientação do filme. Cores pálidas e esmaecidas são usadas para enfatizar o tom dramático do filme e a falta de vida na personalidade de Julien.

A personagem declara não gostar dos vivos e enfatiza isso com uma projeção de slides de pessoas mortas na guerra, com sua coluna de obituários e na decisão de não trabalhar em um jornal maior para continuar a servir os mortos em sua profissão. Apesar do tema recorrente no filme, Truffaut também reverencia a arte e a vida de escritores, cineastas e atores que lhe foram importantes para que não sejam esquecidos mesmo depois de mortos.

Fernanda Viana

Comments

Comment from Getulio Ribeiro
Time 6 de outubro de 2011 at 16:20

“Julien é interpretado pelo próprio Truffaut para torná-lo mais pessoal, mas não é muito convincente em sua atuação na sequência final em que morre.”

Fernanda… você até escreveu bem, porém, porque diabos vc tinha que dizer que o personagem morre no final?

Venho ler sobre o filme, pois acabo de comprar o dvd… e na procura de saber mais sobre o filme o “destino”(rs) me fez parar em sua resenha… que é boa, falou bem das técnicas usadas, fotografia sem revelar muita coisa, porém, a unica revelação é que no final ele morre… mesmo sendo um Spoiler com mais de 30 anos, ainda é Spoiler… da próxima vez avise… pois as pessoas gostam de dar uma olhada nas resenhas para saber um pouco mais sobre o filme e decidir se irá assisti-lo ou não.

Ao invés de dizer que ele morria, era só ter dito que a atuação dele não convence no final do 3° ato.(ponto)

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