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Como aprendi a superar meus medos e a amar Arik Sharon

Como fazer um documentário para desmascarar alguém que conhece o poder de uma câmera? Como aprendi a superar meus medos e a amar Ariel Sharon, de Avi Mograbi, de certo modo, coloca essa pergunta e a responde, pois ele torna possível a visualização da mudança na estratégia de abordagem de Mograbi a partir do personagem cineasta que depõe no filme.

O projeto inicial de captação de imagens de Ariel Sharon em seus compromissos políticos, que pretendia organizar as palavras e gestos do político contra o próprio, entra em um impasse quando o diretor se dá conta da escassez de material necessário à proposta do filme. Ao refletir sobre isso, ele então nota que Sharon não é mais perseguido por sua câmera e pelo contrário, o convida para filmá-lo, como que confiante de que um filme não poderia derrubá-lo. Mais do que isso o diretor percebe que na verdade Sharon é um homem divertido e até gentil.

Assim, Mograbi expõe com seu personagem o questionamento ético pessoal – e isso responde pela honestidade que se mantém ao longo do filme – de alguém que sente estar se traindo politicamente por se encantar com seu inimigo. O que ele resolve fazer é, a partir daí, deixar seu lado emocional se expressar, atuar sutilmente em favor deste lado, sem deixar de mencionar em seus depoimentos as atrocidades criadoras de seu ódio por Sharon, e consegue com isso tornar visível implicitamente o poder persuasivo do carisma de Sharon e dos políticos em geral.

Essa solução se mostra ainda mais perspicaz, pois além de dar conta do problema político inicial consegue construir com sua narrativa uma intensa relação pessoal e ambígua entre os dois, e que os aproxima, em desafio a seus posicionamentos ideológicos. Chega inclusive a exibir o recorrente problema na realização de documentários que é a necessidade de um desvio da abordagem proposta a princípio, por uma fuga – nesse caso não inconsciente – do próprio assunto filmado.

Vitor Viana

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