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Encurralado

O filme de estreia de um dos diretores mais lucrativos de Hollywood foi, na verdade, feito para a televisão. Em Encurralado (Duel, 1971) Spielberg conduz o talento que Dennis Weaver emprestou a Orson Welles atuando em A Marca da Maldade, em uma trama quase vazia para expor suas habilidades com a linguagem.

O protagonista David Mann é um homem comum que viaja a negócios por uma estrada árida quando se depara com um Leviathan enferrujado, um enorme caminhão guiado por um anônimo motorista sociopata, num duelo de vontades ao longo do caminho. Duelo, aliás, é justamente o nome original do filme que me parece representar de forma mais fiel as disputas que se estabelecem.

Não se trata de um duelo apenas entre o oprimido e o opressor, mas também entre o oprimido e o desconhecido e entre o oprimido e ele mesmo. Mann se depara quase que exclusivamente com a máquina, ausente de motivos, de identidade e, portanto, impassível à única ferramenta que Mann conhece para se livrar de todas as situações, a razão. É nesse âmbito que se dá o maior duelo, uma vez que David se vê impotente, mesmo com toda sua civilidade.

Spielberg trabalha todos os níveis dessa disputa com pouquíssimos diálogos, pouquíssimos personagens e, para o padrão do diretor, pouquíssimos efeitos. E talvez esse seja o maior trunfo do filme. Negando o rumo que o diretor tomaria posteriormente, em Encurralado, Spielberg faz muito com muito pouco. O filme envolve o espectador com poucos elementos, com algum apelo à identificação e utilizando muito as ferramentas estabelecidas em diversos gêneros. Sempre expressando os valores da relação que está se estabelecendo e as tensões envolvidas exclusivamente pela seleção eficaz dos enquadramentos e pelo ritmo da montagem, principalmente no que diz respeito ao diálogo entre os dois elementos principais.

Encurralado representa, de certa forma, a relação de Spielberg com a indústria do cinema. Afinal, o filme teve certa visibilidade na televisão nos EUA, foi lançado nos cinemas Europeus com sucesso, lucrou e, inegavelmente, tem seus méritos artísticos. O diretor, por sua vez, está estabelecido na indústria hollywoodiana, arrebata milhões de dólares com o cinema entretenimento e, ignorando a antítese preconceituosa, mostra desde Encurralado, que seu talento vai além das bilheterias.

Bruno Martone Nucci

Comments

Comment from Thadeu
Time 6 de abril de 2010 at 23:32

O Spielberg mostra também (fortemente) seu lado pentelho nesse filme: a trilha sonora desse filme é certamente uma das mais chatas e irritantes que existe, o motor do caminhão ganha um destaque corrosivo nos nossos ouvidos, e a perseguição se exaure em planos que se repetem incessantemente até vc. cansar de todo o suspense e torcer pra tudo acabar numa grande explosão. Enfim, e é o que acontece. Ele atende a expectativa; e concordo contigo quando afirmas que é um exercício de linguagem, pra mim soou dessa forma tb.

Comment from nightriderlopes
Time 3 de junho de 2010 at 11:23

adoro este filme!ele é como vinho:alguns bebem e não gostam,outros(como eu)degustam!enfim,um ótimo trabalho de Spielberg que só pode ser visto por quem realmente admira o bom cinema(apesar de ter sido feito para a tv)

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