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Jesus Camp

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Polêmico e perturbador “Jesus Camp” direciona o olhar para um Estados Unidos contemporâneo através das crianças que pode fazer o espectador chorar de alegria ou terror. Pode-se examinar como o Evangelismo Estadunidense atrai crianças entre 7 e 13 anos facilmente influenciáveis, que estão sendo treinadas para serem futuros pastores e “encaminhar os perdidos” para o renascimento para Jesus. Ao mesmo tempo, toca em questões políticas, ambientais, científicas, educacionais, homossexuais, mais ou menos aprofundadas, mas sempre tendo o cristianismo e o criacionismo como base para as discussões. Não há questionamento da fé, mas sim dos métodos usados para que essa fé seja assimilada pelas crianças, onde um misto de sensação de hipnose e lavagem cerebral coletiva nos parece muito evidente.

As personagens que o filme apresenta são basicamente cinco: três crianças que torcem fielmente pelo acampamento, que falam sobre o que significa ser cristão evangélico por serem os escolhidos, e porque são melhores que qualquer outro grupo de cristãos. A quarta personagem é Becky Fischer, uma pastora que doutrina crianças,  onde os métodos assustadores e radicais usados por ela têm como objetivo fazer com que cresçam para tomar o poder político por ser a única esperança pra eles e pra o mundo. Baseado neste conceito, temos uma sequência onde uma figura em tamanho natural de George Bush é apresentada às crianças para que o abençoem. Todos rezam para que ele não perca o poder na política, pois acreditam que Bush é o homem escolhido por deus. Finalmente, a última personagem apresentada é Mike Papantonio, um cristão profetizador que em seu programa de rádio aborda questões que mesclam política, fé e direitos religiosos, mas sem apresentar muita coesão. É evidente que ele foi acrescentado à montagem como uma peça final pra criar o narrador da história, como se fosse o documentarista. Além disso, parece ser uma forma de nos dizer que nem todos os cristãos dos EUA são tão ruins quanto parece.

O documentário tenta apresentar um ponto de vista imparcial, o que faz dele pouco sustentável, onde fica somente como uma apresentação de fatos como em um jornal de escândalos. Contudo, ao vincular-se ao radialista Mike Papantonio, o começo do filme aparenta que sua participação acrescentará um ponto de vista mais crítico. Mas, se percebe que todos os personagens têm aquele gosto cristão do conhecimento empírico, onde a única verdade existente é a de deus.

Sobre a proposta das diretoras, é evidente que elas tentam que o documentário seja o mais imparcial possível, mas acredita-se que existiu um certo receio na escolha do material a ser usado. Elas não conseguem se involucrar muito, pois mostram o que é, até certo ponto, aceitável tanto para cristãos não radicais como para ateus. Apesar das sessões de reza e das reações das crianças serem realmente assustadoras, o radialista, que é a voz crítica, nunca as menciona. O filme tem duas leituras: uma muito próxima da consternação das crianças e outra leitura geral que mostra que o projeto evangélico vai além de uma formação espiritual. Este projeto procura um poder político no futuro.

María Lorena Caicedo e Farnanda Teodoro Viana

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