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Jovens, Loucos e Rebeldes

Pedimos desculpas pela alteração da data de exibição deste filme. A mudança foi feita porque serão apresentados Trabalhos de Conclusão de Curso de Cinema na quinta-feira, 11 de março. Os TCCs são abertos ao público; para maiores informações, comunicar-se com a secretaria do Curso de Cinema da UFSC.

Faz um bom tempo já que Highschool tornou-se um dos símbolos mais populares da vida americana. Não só pela quantidade de filmes, séries, livros e outras mídias que abordam esse momento da juventude americana, mas por ter tornado-se um microcosmo tão reconhecível, com suas peças bem definidas, suas possibilidades previsíveis. Uma convenção, um clichê. Mas como todo clichê, está recheado de arquétipos que espelham, mesmo que superficialmente, algo de profundo da condição humana. Vez ou outra surge uma história que recria esses arquétipos e adquire o status de retrato de uma geração.

Talvez o filme mais icônico nesse sentido seja American Graffiti, de George Lucas, que retrata um grupo de jovens recém formados em 1962, na noite anterior de deixarem a cidadezinha em que cresceram. Não só a sua famosa trilha sonora e cuidadosa direção de arte recria uma época de inocência, mas os problemas são mais simples: ir para a faculdade ou procurar um emprego na cidade natal. O futuro, de qualquer maneira, parece promissor. Jovens, Loucos e Rebeldes parece ser a grande antítese de American Graffiti nesse sentido. A ambientação é similar (highschoolers numa cidade de interior), mas estamos em 1976, o Rock‘n Roll tornou-se mais violento e sensual, as drogas e o álcool tornaram-se a maneira ideal de desafiar os adultos e a tirania e camaradagem se perpretam nos rituais de iniciação ao highschool.

Linklater não está preocupado com uma trama bem amarrada ou um protagonista único, com uma jornada revelatória. Seus personagens são muitos e o filme parece gravitar sobre os grupos de adolescentes circulamente, deixando sempre algo para ser retomado mais tarde. Poucas vezes notamos algum avanço dramático de um personagem, o motivo maior do filme parece ser o de uma exposição sociológica, uma ode contra a autoridade e um elogio ao ócio. Esses são, aliás, temas centrais na obra de Richard Linklater.

Assim como seus colegas de geração, (Quentin Tarantino, Spike Lee, Robert Rodriguez e Steven Soderbergh) foi inspirado pelo livro How to Make a Feature Film at Used Car Prices, de Rick Schmidt que Linklater realizou seu primeiro longa, Slacker. Produzido com apenas 23 mil doláres, o filme passeia por Austin, capital do Texas, seguindo múltiplos personagens, vagamente conectados, que, ao conversarem constantemente, revelam um misto de filosofia e paranóia que apenas os mais desocupados poderiam expressar. Jovens, Loucos e Rebeldes, por sua vez, foi produzido pela Universal (com um orçamento limitado), tem um formato muito mais clássico e, aparentemente, ingênuo, mas o espírito continua o mesmo. O cuidado com os diálogos, o uso de atores (até então) desconhecidos em personagens absolutamente críveis, o gosto pela música e o esvaziamento da trama, são elementos que insistem em retornar na carreira do diretor.

Para o espectador inadvertido, diversão é tudo que há em Jovens, Loucos e Rebeldes. Contudo, ela ainda está limitada pelas convenções sociais do highschool, presa nessa cidadezinha onde o limite da rebeldia é espernear e aguardar pelo próximo show do Aerosmith. Da mesma forma, a ousadia de Linklater só atingiria sua potência total em seus filmes posteriores, como Antes do Pôr do Sol e Waking Life. Jovens, Loucos e Rebeldes é ainda um pequeno gesto de rebeldia, consciente de seus limites, mas que não desiste de aproveitar o pouco que tem disponível.

Thiago Santana

Comments

Comment from Leandro Ramos
Time 2 de março de 2010 at 15:39

Boa Tarde li sobre o Cineclube e achei muito interessante, pois bem, sou Paulista e em São Paulo participava de vários projetos parecidos, trabalho na área e estou procurando em Florianópolis me envolver com pessoal de cinema!

Poderia me explicar melhor sobre o projeto e se funciona toda quinta ou são só nas datas do tópico (Próximo Eventos), e se posso participar pois não sou aluno da Ufsc.

Obrigado

Leandro Ramos

Comment from editor
Time 2 de março de 2010 at 23:20

Boa noite Leandro,

Pode participar sim. O cineclube esta aberto a comunidade e é gratuito, ele funciona todas às quintas-feiras faz 4 anos consecutivamente. Temos às 18:30 a projeção do filme e depois ficamos para o debate. É bemvindo mesmo que não seja aluno da UFSC.

Saludos.

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