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Mostra Ventos de 68

Não houve arte mais engajada com maio de 68 do que o cinema. No último grande questionamento da sociedade do capital – tanto valores, instituições e ordem econômica – foi principalmente a arte que nasceu na burguesia, o cinema, que questionou e propôs o novo.

Falar de maio é sempre muito complicado: não basta o pouco distanciamento de tempo – apenas 50 anos – ele foi um fenômeno de muitas facetas; mobilizando estudantes e operários, com propostas políticas, econômicas e culturais. Não só, ele tomou o mundo inteiro: operários autogeriam fábricas na América Latina e na Europa, países da África desafiavam seus colonizadores, os negros dos Estados Unidos lutavam disciplinadamente por liberdade. No Leste Europeu desafiavam o imperialismo soviético, enquanto em Cuba se engajavam no que fazer após a expulsão dos antigos imperialistas. E vai além.

Diante desse contexto, cineastas como Godard começaram a pensar uma arte cuja forma pudesse representar uma sociedade onde os operários enfim pareciam superar a alienação em que viviam, enquanto inúmeros diretores refletiam as profundas transformações culturais que a sociedade passava. O lema era “Sejam realistas, exijam o impossível”, e para propor algo novo é necessário imaginação: uma tarefa essencialmente sensível.

Os quatro filmes dessa mostra abrangem o aspecto existencial que motivaram revoltas, os registros históricos e os dilemas que percorriam o mundo:

Crônica de um Verão de Edgar Morin, Jean Rouch, 1961. 90 min – dia 07 de agosto,  terça-feira às 19 horas, no auditório Henrique Fontes (CCE-B).

Esse documentário, realizado de forma experimental e de grande impacto na história do cinema, é um diagnóstico do início dos anos 60 na França. Através de uma pergunta “Você é Feliz” –  e também trazendo questões políticas como a guerra da Argélia – o documentário traz as esperanças e anseios dos mais diferentes grupos sociais: de operários a artistas, de estudantes africanos a imigrantes italianos. É também um grande experimento com o gênero documentário: o que é real? O que é construção do cineasta? Nesse conflito é proposto um novo discurso: o cinema-vérite. Evento.


Crônica de um Verão (1961), de Edgar Morin e Jean Rouch

Sessão dupla: Os Panteras Negras de Agnès Varda, 1968, 26 min e Noites Longas E Manhãs Breves de William Klein, 1978. 97min – dia 14 de agosto, terça-feira às 19 horas, no auditório Henrique Fontes (CCE-B).

O curta de Agnes Varda sobre os Panteras Negras registra o verão de 68 do partido; vários debates de conscientização em torno do processo de um de seus líderes, Huey Newton, num ano de lutas intensas pela conscientização e liberdade do povo negro norte-americano. Já o documentário de Klein sobre o maio francês mostra a contestação de  milhões de grevistas e estudantes: o dia a dia fervoroso de assembleias, debates, confrontos e utopias. Evento.


Noites Longas e Manhãs Breves (1978), de William Klein

Memórias do Subdesenvolvimento de Tomás Gutiérrez Alea, 1968, 110 min – dia 21 de agosto, terça-feira às 19 horas, no auditório Henrique Fontes (CCE-B).

A história se passa no início dos anos 60, na Cuba logo depois da revolução. Conta a história de Sérgio, um burguês intelectual que vive sozinho na ilha depois da sua família ir toda para Miami. Ele passeia pelas ruas, se envolve em casos amorosos, e reflete as transformações no país. Misturando impressões pessoais e gravações do país, o filme apresenta um quadro fantástico da Cuba pós-revolução. Evento.


Memórias do Subdesenvolvimento (1968), de Tomas Gutiérrez Alea

Sessão dupla: Oratório para Praga de Jan Nemec, 1968, 29 min e A Piada de Jaromil Jires, 1969, 80 min – dia 28 de agosto, terça-feira às 19 horas, no auditório Henrique Fontes (CCE-B).

O curta “Oratório Para Praga” é um documento da invasão soviética na Tchecoslováquia, em 68. Único material filmado da invasão soviética. Já o filme “A Piada” fala sobre um homem que resolve voltar à cidade natal para vingar-se de amigos que, quinze anos antes, o expulsaram da faculdade e do partido comunista por causa de uma piada envolvendo o nome de Trotsky. O filme foi completado logo depois que os tanques Soviéticos adentraram as ruas de Praga em 1968. Evento.

Em caso de dúvidas, entre em contato com o CRS através das nossas redes sociais ou do nosso email: cineclubesganzerla.cinema@contato.ufsc.br. Esperamos você nas sessões!

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