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Os Monstros de Babaloo

Uma aventura burlesca na misteriosa Ilha de Babaloo! As aventuras diárias da grotesca família de um industrial com punhos de ferro, rei da banana e do jiló.

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Não se compreendia o que queriam dizer
esses filmes? Mas se vivíamos em um
mundo opaco, por que haveriam os filmes de
dizer as coisas claramente? – Inácio Araújo

Do que se trata, afinal? É evidente que vemos um estado de espírito de uma época. No primeiro plano, temos um ato de descobrimento, entre as bananeiras, a casa/mansão/bangalô de Badu e sua família. Descobrir e investigar. É essa a operação principal que Visconti vai usar durante o filme. A concretude material criativa de som e imagem; desses materiais é que derivam as reflexões que os corpos de Wilza Carla, Zezé Macedo, Helena Ignez, Betty Faria vão fazer brotar na tela.

Há, nesses corpos, um movimento autofágico: eles não representam a eles mesmos, mas eles são eles mesmos de algum modo. Essa dialética autofágica fica clara com a espécie de reciclagem de todo um temperamento dos atores diluído no filme, suas posturas, vozes, ritmos. Zezé Macedo, a rainha das chanchadas, é aqui uma espécie de caricatura brutal, transformada em monstruosa, horrorosa. Em seu número musical, onde seu aspecto fantasmagórico pulsa, sem que sua aparência monstruosa omita sua veracidade enquanto corpo. Não se vai filmar o popular, o grotesco, o tosco: os cineastas e seus filmes vão agora fazer – e tomar – parte disso.

A conflagração dessa época não é distante. Não é um filme de contexto, como toda a arte não é. A fantasia que assume um estado de espírito, talvez seja o mais próximo que eu consiga me aproximar do filme. O desequilíbrio e o caráter ilógico de Os Monstros de Babaloo reforçam uma energia tresloucada que percorre o filme, e talvez até justifique a dificuldade para se tentar falar do filme – evidente em meu texto. Ao vermos filmes como Babaloo, tudo ao redor parece forçado, sem vida, sem interesse… “ (…) decrépito!” como Helena diz no filme. Num cinema onde não se importa o academicismo, uma sintaxe acomodada, mas onde importa a resistência contra o mundo instituído.

Marlon Krüger

Comments

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Time 19 de maio de 2010 at 12:30

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Time 21 de maio de 2010 at 23:07

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Comment from offessepymn
Time 24 de agosto de 2011 at 13:25

Buen comienzo

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