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Sans Soleil

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Sans Soliel é, por falta de uma categoria mais apropriada, um documentário dirigido e escrito por Chris Marker. Sua narrativa gira em torno das impressões de um viajante que, por vez ou outra, se misturam com as impressões da própria narradora, correspondente do viajante.

O filme não apresenta personagens e não se apóia em suas imagens, mas em suas impressões e pontos de vista. Não há uma linearidade narrativa, pelo contrário, a proposta é viajar dentro da mente fragmentada de alguém que percorreu cantos distintos do planeta e compartilha suas referências com uma amiga através de cartas, embora pareçam compartilhar uma consciência. Por esse motivo, encontra-se em Sans Soleil uma quantidade vasta de referências históricas, geográficas, literárias, folclóricas, cinematográficas e musicais de países tão diferentes entre si – África, EUA, Japão… O incomum dentro do comum. Esse é o movimento que o viajante realiza em todos os lugares que visita. Desconstrói a familiaridade e o conhecido. Se apega a detalhes que fogem aos olhos dos distraídos.

A carga de realidade na tela se dá através das referências reais e da possibilidade de essas experiências terem sido vividas. A proposta não gira em torno da evidência dos acontecimentos que são mencionados e registrados, o que ocorre é a soma de todos eles na construção do verdadeiro objeto documentado: o personagem viajante. É no objeto documentado, entretanto, que o filme se afasta do próprio gênero. Embora exista a sugestão de que o personagem é o próprio cineasta, nada garante que o personagem seja real. A construção dele se dá justamente pela peculiaridade de seu olhar e a soma de suas experiências, que por sua vez sofrem influência da narradora, que muitas vezes apenas reconta aquilo que leu. Impedindo que, depois de tantas instancias de interpretações, o objeto documentado seja algo mais que virtual.

Sans Soliel, é um filme que sugere um debate conceitual aparentemente desgastado sobre os limites do gênero documental, entretanto, eleva a discussão a novos patamares por ser responsável por borrar, ainda mais e de forma muito efetiva, esses limites. É um filme que incomoda, sem dúvidas. Mas, ao mesmo tempo, é uma experiência que poucos filmes proporcionam.

Bruno Martone Nucci e Marina Ferreira do Amaral Watson-Wood

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