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Tetro

A boêmia cidade de Buenos Aires é o cenário do filme mais recente de Coppola, lugar escolhido pelo recluso escritor Tetro (Vincent Gallo) a fim de exilar-se de seu passado e da sombra de seu pai, Carlos Tetracini. Quando saiu em busca de sua própria carreira – agora estagnada – deixou para trás seu irmão mais novo, Bennie (Alden Ehrenreich). A principal força motriz do filme está na incansável procura de Bennie por seu talentoso irmão perdido dentro de Tetro.

Tetro traz uma assinatura livre das amarras hollywoodianas pelas quais Coppola se estabeleceu através de Apocalypse Now e Poderoso Chefão. Desde a fotografia até a abordagem narrativa evocam uma ousadia quase infantil, porém, com a experiência de décadas e grande intimidade com a câmera.

O filme possui uma fotografia quase impecável composta grande parte por cenas filmadas em preto e branco que narram a história de uma família marcada por ciclos de competição entre irmãos e desentendimentos entre pai e filho, ambos os sentimentos movidos pela outorgação da genialidade e o desejo de fama. A construção do enredo e dos personagens se dá sobre eventos obscuros, muitas vezes não revelados explicitamente. Nesse aspecto o tema casa com a fotografia em preto e branco, digital e em alta definição.

A estética e o tema de Tetro retoma a experiência que o diretor iniciou em “Rumble Fish” (1983), filme de pouca projeção que aborda justamente a relação entre irmãos de gerações diferentes. Porém, em 2009, o diretor vai além e desafia a linguagem clássica se propondo a contar uma história com ângulos obtusos, misturando o digital com o preto e branco e resgatando memórias em cores. A ferramenta do flashback, curiosamente colorido e teatralizado, sugere um processo de construção da memória inverso ao clássico. É nas memórias que os detalhes se fixam, não no imediato, como se o presente fosse uma experiência rápida demais para fixar as cores, pintadas na memória posteriormente, assim como o arranjo e a disposição dos elementos da cena relembrada.

Se o personagem Tetro trava uma batalha em função de seu talento, Coppola parece ter ter dado um passo em direção à vitória. Um dos valores de seu último filme é justamente a conquista dessa liberdade como diretor, de experimentar o Cinema, reinventar-se e, se for de sua vontade, explorar diferentes aspectos do que o encanta em termos cinematográficos. Fica claro, portanto, que Tetro é uma sugestão de Coppola de que o Cinema dentro da industria, ainda pode ser reinventado e ter aspectos autorais.
Bruno Nucci e Marina Watson-Wood

Comments

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Time 19 de abril de 2010 at 13:29

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