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Um Mundo Perfeito

Butch Haynes (Kevin Costner) é um fugitivo da prisão que toma o pequeno Phillip como refém. A fuga de Haynes se transforma em uma jornada de amizade e transformação para o jovem garoto que o acompanha.


Diretor e ator em Um Mundo Perfeito, Clint Eastwood apresenta Kevin Costner, em uma de suas melhores performances, como o presidiário em fuga Butch Haynes. Um filme que poderia ser mais um dentro do gênero policial, surpreende no desenvolvimento dos personagens e de suas relações. Os elementos agregados à narrativa enriquecem o filme a ponto de a perseguição ficar apenas em plano de fundo.

O conflito na narrativa se forma com a afeição que surge entre Haynes e seu pequeno refém, Phillip (T. J. Lowther). Haynes se vê no menino e, por isso, acaba dedicando seu tempo para prover o que lhe foi negado – como uma volta na montanha-russa e uma figura paterna. Assim se estabelecem os laços de cumplicidade e amizade, naturalmente e, como aponta a criminalista Sally Gerber (Laura Dern), psicologicamente justificáveis. O que Clint Eastwood faz com esmero é transpor essa naturalidade na tela.

A caracterização do anti-herói é reforçada pelas “atitudes certas feitas de modo errado”. Justamente nesse aspecto, o filme condena os burocratas, seja no papel do governador ou no papel do oficial federal envolvido no caso, ambos preocupados com as cartilhas de comportamento, negligenciando o elemento humano das respectivas situações. E nesse ponto, Clint até brinca com o estereótipo texano, imprimindo culpa e reflexão no que deveria ser o implacável capitão de polícia.

A perseguição que se dá no filme é, de fato, a por um mundo perfeito. O título, evidenciado em um diálogo no decorrer do filme, revela a proposta mais intensa da narrativa. Em perseguições paralelas, a criminalista mira um mundo sem criminalidade enquanto vive num mundo estruturalista, o capitão da polícia persegue um sistema de reformatórios que salva crianças e o fugitivo almeja um refúgio onde possa viver a infância perdida com o pai num paraíso ecológico de cartão postal. E essa perseguição justifica as decisões tomadas no enredo.

Outro ponto explícito no filme é a dicotomia homem contra a natureza que é explorada de forma progressiva, com o verde tomando cada vez mais espaço na composição e as cenas externas dominando o filme em oposição às cenas de gabinetes ou às cenas herméticas dentro de um trailer-escritório e, principalmente, sendo a alegoria desse mundo perfeito que o próprio Haynes busca e acaba por acolhê-lo.

O mundo em que “O Mundo Perfeito” está inserido é, de certa forma, triste, cheio de cicatrizes, que moldam o destino dos personagens. Muitas dessas feridas surgiram das problemáticas que envolvem o amadurecimento e a formação do caráter do homem, e são ilustradas por Eastwood de forma tocante durante o filme.

Bruno Martone Nucci e Marina Ferreira do Amaral Watson-Wood

Comments

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Time 19 de abril de 2010 at 13:28

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