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Valsa com Bashir


Durante uma conversa com um amigo em um bar de Israel, Ari Folman(diretor do filme), constata que não lembra de nada que ocorreu na guerra do Líbano — conflito em que foi soldado israelense. Esse é o gatilho para todo o desenrolar do filme, a partir daí ele percorre diversos lugares, entrevistando ex-soldados que atuaram ao seu lado, na busca de relembrar seus próprios feitos.
Na volta para casa, após o bar, ele tem sua primeira lembrança: está no mar de Beirute e fogos são atirados para iluminar a cidade destruída. Essa cena segundo o próprio diretor da à cor do filme, a maioria das outras sequências do filme busca esse tom, ou cores próximas, ou até mesmo o sentimento que ela provoca. Acompanhada por uma trilha sonora original feita por Max Richter, essa cena se repete diversa vezes ao longo da animação.

O processo de criação foi coordenado com muito cuidado pelo diretor de ilustração David Polonsky, para que não houvesse exageros, não foi utilizado rotoscópio no filme, a animação foi criada a partir de vídeos dos entrevistados, então após isso os ilustradores começaram do zero, e tentaram imitar gestos e expressões dos personagens, com notável sucesso na minha opinião.
Valsa com Bashir demorou quatro anos para ser feito, produção foi totalmente custeado por investidores, que após verem três minutos do filme no Hot Docs em Toronto, aceitaram bancar a produção, um desses investidores é o governo de Israel, talvez seja daí que surja a principal discussão do filme.

Follman sustenta a versão do governo, de que foram os falangistas cristãos que chacinaram milhares de palestinos nos assentamentos, porém algumas pessoas discordam disso, dentre elas muitos israelenses, eles falam que o governo que cedeu arma para os falagistas, ou até mesmo que o próprio exercito de Israel tenha matado os palestinos.
Eu prefiro me ater aos aspectos cinematográficos do filme, que foi reconhecido pela critica: selecionado pelo festival de Cannes, ganhou o globo de ouro, indicado a melhor filme estrangeiro no Oscar, e ganhou seis prêmios da academia israelense de cinema.

Marcelo Ribeiro

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