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Vampiros

“Vampiros”

“Meus vampiros são criaturas selvagens. Não se preocupam nem um segundo com a solidão da eternidade porque estão ocupados demais desmembrando humanos.” – John Carpenter

Em Vampiros, o diretor John Carpenter se esforça para apresentar um conceito de vampiro diferente do presente na literatura e nos filmes mais influentes da década de 80 e 90, como os vampiros góticos/ vitorianos de Anne Rice ou de Drácula de Bram Stoker dirigido alguns anos antes por Coppola. Os vampiros de Carpenter são animalescos, mortos-vivos meramente racionais, uma massa maligna, impuros e nada refinados. São, de fato, o oposto do refinamento europeu proposto pelos autores citados acima. Não existe superstição, mistério ou encanto nessas criaturas. Essa massa acaba por destacar seu mestre, Valek, o único indivíduo com potência para antagonizar Jack Crow.

Esse embate entre dois iguais, somado ao ambiente inóspito, ao calor do sudoeste norte-americano e o grupo de caçadores de recompensa estabelece um vínculo inegável com o gênero western. A trilha sonora (composta pelo próprio Carpenter) intensifica a mistura de gêneros, alternando entre os clichès musicais nas cenas de caçada e de “duelo”.

O papel de James Woods em Vampiros é uma redundância em termos de anti-heroísmo ao tentar dar conta desse papel nos dois gêneros que o filme comporta. Essa redundância evidencia o seu papel dentro do filme de maneira a caricaturar o personagem, movimento comum nos filmes de Carpenter como em Fuga de L.A. e o personagem de Kurt Russel.

A linguagem desenvolvida por Carpenter em Halloween se alastrou rapidamente pelos filmes de horror e demorou pouco pra se tornar um clichè. Uma das ferramentas mais recorrentes é o cheap scare, movimentos de entrada e saída de elementos em quadro súbitas, realçados pela trilha sonora. Por essa gramática do horror, Carpenter é reconhecido como um dos principais diretores de horror em Hollywood.

Bruno Nucci e Marina Watson-Wood

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