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Chronopolis

Chronopolis é o único longa-metragem do polonês Piotr Kamler. Com a co-produção francesa, levou aproximadamente cinco anos para ser concluído (1977 – 1982). O filme exibido na sessão do cineclube é a segunda versão da obra, esta que torna a experiência – palavra-chave desse filme – mais peculiar.

Nessa segunda versão, a ausência é enaltecida. Sem a narração de Michael Lonsdale explicando a seqüência inicial, o filme permite notória subjetividade ao espectador.  Não possui diálogos. As cenas são sublimadas por uma paleta sonora que possui desde um minimalista piano até entorpecentes ruídos eletrônicos. A trilha sonora de Luc Ferrari, assim como a montagem, transfere o espírito da obra, um jogo espaço-temporal descontínuo de paralelismo e simultaneidade, recheado de repetições.

O filme sugere a história de Chronopolis, um local no espaço em que seus habitantes, algo como divindades faraônicas, carregam o fardo da imortalidade, e para fugir da monotonia produzem jogos que controlam o tempo e a matéria, enquanto não conseguem entrar em contato com um ser humano.

Paralelamente à Chronopolis, vemos o mundo dos humanos, referidos por escaladores de uma montanha, da qual jamais é visto o seu topo. Um caminho evolucionário? No entanto, essa escalada evolucionária não levaria os humanos ao encontro de controlar o tempo e matéria.

Um escalador decaído se liberta da busca de um cume inatingível, flutua pelo mundo material e se encontra com uma esfera produzida pelas divindades extraterrestres para fazer contato com os humanos. O escalador se encanta com a esfera. Esta, é manipulada pelos chronopolitanos: um jogo é estabelecido com uma interação por horas não participativa. Levado por uma curiosidade afetiva, o humano adentra a esfera e descobre uma cápsula temporal, onde ele o tempo gravado pelos outros seres, e o descarta. Escolhendo, apenas, a matéria.

Desvinculado a aliança tempo-matéria, Chronopolis entra em ruína e desaparece, como mostrado no prólogo, o tempo continua como uma luz com movimentos pendulares. O humano desgarrado percorre venturoso com a nova tecnologia material, agora seguindo em linha horizontal, vendo um futuro mais claro, até que a luz pendular retorna ao primeiro plano fazendo o homem e a matéria desaparecerem. Mas seria o tecnicismo desalinhado com seu espaço temporal o caminho de um horizonte saltitante?

A cidade é o próprio personagem do filme. Misturando diversos estilos de animação, entre elas: o 3D, Stop Motion e uma técnica que parece o modelar de argila, Piotr Kamler cria uma arquitetura que equilibra a fluidez orgânica e a alta tecnologia.   

Rodrigo Ramos

Comments

Comment from Paula
Time 19 de abril de 2011 at 13:32

Olá! Gostaria de saber como vocês conseguiram assistir esse filme? Tem apenas alguns trechos no youtube, e não encontro em lugar algum para alugar/vender. Obrigada!

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