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Faster, Pussyca! Kill! Kill!

 A idéia soa absurda até nos dias de hoje: três go-go girls motorizadas, no meio do deserto, assassinam um homem e seqüestram sua namorada testemunha, com os boatos sobre uma grande quantia de dinheiro possuída por um deficiente senhor, fazem o possível para conquistar essa suposta fortuna.

      Deixando de lado a lógica do roteiro (que não é dos mais firmes) temos como motivo para sua feitura a união dos típicos desejos masculinos: sexo, carros e violência. O restante pouco importa, quase todos os enquadramentos do filme nos quais as protagonistas aparecem concebem uma visão do colo, dos quadris, da bunda das protagonistas.

      A presença do The Vegetable pode ser considerada como a manifestação do desejo feminino, logo, do ideal masculino de força. Nessa caricatura para agrado de um estereotipo do público masculino, este que, na idéia de Russ Meyer, é fanático por carros, sexo e violência, mas ao mesmo tempo possui essa questão da força como necessidade para perpetuar sua representação da masculinidade.

      Considero a própria trama do dinheiro e qualquer tratamento psicológico que as personagens possuem como raso; mesmo as três protagonistas permanecem nos seus papéis clássicos de um trio clássico de vilões: a líder durona e a parte realmente má do grupo, a personagem submissa aos desejos da líder e há sempre uma terceira, completamente contrastada das demais, que tende a permanecer no grupo por inércia, sendo contra os ideais perseguidos pela líder. É, talvez, o método mais simples para a criação de um conflito entre as protagonistas.

      Todas as personagens têm praticamente um destino traçado desde o primeiro momento em que aparecem em cena, não há surpresa na conclusão da trama, lembremos que é um filme de 1965 e apesar da sexualidade tão exposta, o filme ainda precisaria respeitar os severos códigos de ética da época, onde os bonzinhos sobrevivem e os maus são punidos, mesmo que esse martelo da culpa caia sobre alguns que são “pecadores” por razões ambíguas e infortunas, estes padecem por serem emissores do caos proferido por ordens alheias, sendo que os regentes desses mandatos são Jack e The Old Man.

      Quando nos deparamos com um filme nitidamente B de um diretor B por essência, será que é válido observarmos questões como fotografia e montagem? A primeira pode vir a ser relevante, o mundo já havia conhecido Raoul Coultard e suas maravilhas com orçamento pífio, mas na segunda vale a pena dizer que o filme B é um filme de retalhos, a película é pouca e os editores precisam se virar com o que existe. Essa regra é válida também para o cinema marginal brasileiro.

      Em suma, neste filme de Russ Meyer temos esse exagero caricaturesco que leva ao bizarro com o intuito de salientar os signos do almejo masculino, este vem a ser o único aspecto que diferencia esse filme de qualquer outro onde temos um conflito em busca de uma fortuna oculta. É um filme sem a tentativa de ser uma obra de arte, mas sim que possui em vista a obtenção de um público bem específico baseado em um clichê de personalidade. 

Phillip Gruneich

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