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Freaks

O circo está na cidade! Um circo de excentricidades – anões, mulheres barbadas, microcefálicos, irmãs siamesas, amputados – onde o anormal/grotesco se expõe ao olhar, buscando causar reações, diversão, espanto, pena, asco, que seja. “[...] vivemos em meio a monstruosidades [...] Eles não pediram para serem trazidos ao mundo, mas ao mundo eles vieram. Seu código é uma lei entre eles, ofenda a um e ofenderá a todos”, é o que diz o apresentador do circo.

Nos Estados Unidos da década de 70, filmes antigos de baixa audiência, rejeitados pelo público de sua época, passaram a ser revisitados; e isso tendo em vista o anterior crescimento de espectadores destes filmes B ou cults – a partir dos anos 50, a televisão começou a passar filmes de fora do circuito principal, inicialmente às meia-noites, e que teve audiência crescente -, os Midnight Movies.

Em paralelo a El Topo, de Alejandro Jodorowsky – realizado em 1970 e um dos principais expoente dos Midnight Movies – Os Monstros (Freaks), de Tod Browning também trata das excentricidades de seus personagens, só que mais cruamente, se é que se pode dizer assim – melhor, menos fantasticamente…

Aqui, revisitado e ‘reclassificado’, Os Monstros tem como primeira atenção a ambigüidade que traz em seu nome; embora simplista, a quem aponta o Freaks? Neste filme, o espectador é deixado entre os circenses-aberrações, como na festa em que estes se unem na canção e na ação; eles são uma comunidade sim, o apresentador do circo bem o sabia, assim como eles próprios o reconhecem.

Nisto se apresenta a relação do anão Hans e da trapezista Cleopatra (um dos motes do filme é “Pode uma mulher completamente crescida realmente amar um anão?”). A sociedade não é composta de cidadãos perfeitos, ao menos nos sentidos que esta palavra leva; quem vive nesta deve admitir que existam os ‘mal presenteados pela sorte’ – ou diferentemente presenteados. E a monstruosidade, mora ali?

Principalmente pelas rejeições dos temas que carrega ou mesmo em relação aos personagens, deformados reais, Os Monstros foi censurado em muitos países – Austrália, Reino Unido, Estados Unidos – mesmo depois de cortes de algumas cenas e adição de outras; rejeições causados pelo estranho que hoje em dia podem parecer fracas, e que refletem o próprio norte (crítico ou não) do filme. Considerações à parte, esta festa é dos Freaks.

Rafael Grigoletto

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